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domingo, fevereiro 29, 2004

O Mundo Perfeito 

Sem beatices. Esta visão irónica do louco está um espanto!

"Deus das almas vagabundas, Deus fugido dos deuses, atende-me. Tu, destino que proteges espíritos loucos e errantes como o meu, escuta-me.

Vivo no meio de uma raça de homens perfeitos.
Eu, o mais imperfeito de todos os homens.
Eu, um caos humano, uma nebulosa de confusão, movo-me entre mundos perfeitos, entre povos regidos por leis exemplares, que seguem uma ordem pura; de pensamentos catalogados, de sonhos ordenados, de visões inscritas e registadas.

As suas virtudes, meu deus, estão medidas, os seus pecados estão calculados com peso e medida, e até os inumeráveis actos que acontecem no crepúsculo - o que não é pecado nem virtude - estão registados.
Aqui, os dias e as noites dividem-se em períodos exactos, e as estações são governadas por normas de precisão impecável. Comer, beber, dormir, vestir, e depois cansar-se. Tudo a seu tempo. Trabalhar, jogar, cantar, depois entregar-se ao descanso, tudo na hora que o relógio determina."

Khalil Gibran em "O Louco"

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