<$BlogRSDURL$>

quarta-feira, março 31, 2004

Sobre o 'Content' 

..o Projecto introduz.
É a publicação de uma 'revista' que tenta ser livro. Complementando a sua mais recente exposição (também entitulada Content) de trabalhos feitos nos últimos anos - incluindo a embaixada em Berlim e a nossa Casa da Música. Primeiro em Berlim, e agora em Roterdão.
Uma coisa baratinha (10 euros), considerando o habitual estudo superficial feito aos livros de arquitectura, na sua relação preço-espessura.
Quanto ao interior. Uma quantidade infindável de imagens, montagens ou não, tudo conceptual tudo numa linguagem que nem sei se o próprio autor consegue decifrar. Deve saber, isso sim, qual o objectivo.
É a liberdade...ou isso.
E um paradoxo (mais um) criado numa revista que se chama 'Conteúdo' mas que disso tem muito pouco. Pelo menos perceptível.
Agora que venham eles! Após um ou dois anos de construção, Rem e os amigos da OMA vão iniciar o período de publicação. Aí vem a teoria que vem mudar o mundo. Encomendas?
Não poderia terminar de forma diferente do LAC..
Be aware!

|

Várias coisas.. 

Hoje o dia não se inicia bem.
Acordar às 8h30m da madrugada para chegar à faculdade e perceber que o professor não vem.
Apanhar com o vento frio nas trombas enquanto ainda faço esforço para acordar.
Finalmente acordado, só me apetece voltar a dormir.
Comprar um maço de Camel e perceber que o preço subiu 80cêntimos (porventura o mais escandaloso!!)
Perceber que vou ficar o dia enfiado à frente do computador, e não poder fazer nada acerca disso!
Entretanto, ainda vou recuperando o fôlego, aos poucos, de pagar $4,60 por vinte e cinco cigarros.
Será que é desta?

Ainda não perceberam esta conversa inútil? Estou a evitar ao máximo começar a trabalhar. Já li a Bola, vi meus mails e respondi, dei uma volta nos blogs, e cheguei mesmo ao cumulo de arrumar meu quartinho (ao que eu cheguei!!)..
Será que é desta?

|

Blog sem nome 

Só o descobri hoje.
Nem li muito, apenas vi isto: "Deep Purple tocam na China"
Deep Purple??!!!
Estão obviamente, na minha lista de favoritos

|

terça-feira, março 30, 2004

mais do mesmo 

..sobre a crítica de Loos à Secessão Vienense, diz ele:

"We go to hear Beethoven or Wagner after the cares of the day. My shoemaker can't. I must not take away his joy as I have nothing to replace it with. But whoever goes to the Ninth Symphony and then sits down to design a wallpaper is either a rogue or a degenerate"
The architecture of Adolf Loos

Confesso.
Ando a relê-lo e há coisas que queria partilhar.

|

Fez-me lembrar uma coisinha.. 

..de outro velho mestre! - Não gozes com os pobres!

"I recently got into a quarrel with an acquaintance of mine. He did not dispute what I had written about the arts and crafts. But the essays on fashion and clothing had rubbed him the wrong way. He reproached me for wanting to put the whole world in uniform.
'What would become of our splendid national costumes?'

Here he became poetic. He thought about his childhood, the lovely sundays in Linz; he thought of the local folk who assembled for church in their festive attire. How glorious, how beautiful, how pituresque! How different everything is now! Only the old people cling to the old costumes. The young ape the ways of city people. One ought instead try to win people back to the old costume.
That would be the task of the cultured and literate man.

'So you think they liked this old costume?' I interjected. 'Certainly'. 'And so you wish that this costume would be retained forever?' 'It is my most ardent desire'.

Now I had him where I wanted him. 'Do you realize' I said to him, 'that you are a truly base and egotistical man? Do you realize that you want to exclude an entire class, a large, wonderful class, our peasant class, from all of the blessings of culture? And why? So that your eyes will be picturesquely titillated as soon as you make your way into the countryside! (...) The peasant - so the saying has already gone for a hundred years - is not a plaything!'"
Adolf Loos, ensaio Underclothes, Setembro 1898

|

segunda-feira, março 29, 2004

ainda sobre arquitecto e artista.. 

..um texto fantástico reproduzido pel'O Projecto - Humanizar

|

O império do efémero ou a busca do silêncio 

Fui andando.
'Fónes' nos ouvidos, a conversar.
Parei. Dei mais dois passos. Onde vou? Sei lá, vou andando.
Uma rua sinistra. É preta e sombria. Aumenta o volume.
Passo mais rápido, riso à gargalhada, abafa lá o silêncio!
Paro mais tarde. Onde vais tu? Eu vou para o mesmo lado.
É para onde toda a gente vai.
Continuamos. Podemos comer. O quê? O que queres fazer?
Não sei, qualquer coisa diferente. Vamos é embora daqui.
Aumenta o som. Passa um carro. Dois. Corre e descansa.
Sinto um toque no braço. Olho de repente.
"não saias de ti próprio; no teu interior habita a verdade"
Hã? Continuo a andar. Olho para trás. O que é que ele disse?
Não sei. Era um louco.

|

domingo, março 28, 2004

Silêncio 












 


 


 


 


   


 


   


 


   


 


  


 




Ao que ela me perguntou, mas o silêncio não é a 'ausência de'...?

|

[um parêntesis] 

Amigas.
Tenho duas amigas em especial.
E como estas, mais ninguém tem.



"Não
fiques desanimado com as despedidas.
Uma despedida é necessária antes
de poderes ter novo encontro.

E um novo
encontro, após momentos ou
tempos de vida, é certo para
aqueles que são
amigos."
Richard Bach

|

sábado, março 27, 2004

em resposta.. 

jmac:

Tens razão. Percebi mal.
Em primeiro lugar, gostaria de te dizer que, de facto, também eu não queria provocar nenhum tipo de querela. Obviamente que o que postei tinha a intenção de provocar discussão, mas não ao ponto de ser conflituosa. Postei o 'fuck the programme?' (sem nada acrescentar como comentário) de uma forma que tentava apoiar aquilo que pensei ser a tua perplexidade em relação ao uso da palavra 'ornament' na peça referida.

Eis como o entendi:
Quando li o pequeno extracto que introduzes, o primeiro pensamento que tive foi o de ver que tratavam a obra do Ghery e Hardy como um objecto. Um ornamento, uma peça de arte pública a tocar no campo daquilo que poderá ser a escultura. No teu comentário, pensei que te referias a isto mesmo. Nem pensei que te espantavas por esta afirmação caber numa qualquer estratégia política de planeamento ou promoção. Pensei que assumias uma crítica ao facto de um teatro, uma instituição, ser tratada como objecto, como ornamento.
Nesse sentido, será de facto qualquer coisa como o 'Ornament and Crime' do Loos. O seu pensamento aparece como uma crítica clara à produção de 'designs decorativos' como os da Secessão e da Werkbund. O seu pensamento surge igualmente na defesa de um sistema que evidencia uma clara separação entre o que será arquitectura, e o que será arte, pondo-os em campos claramente distintos. Devo dizer que gosto imenso de maior parte da sua teoria e com ela me identifico.

No que diz respeito ao meu post, ele surge com a seguinte ordem de ideias: Tendo entendido o uso da palavra ornamento já referido. Tendo interpretado o teu 'susto' como sendo igual ao meu. Decidi de certa forma provocar-te mais um pequeno susto. OBVIAMENTE que acho uma tristeza este pensamento que não quer saber do programa. É precisamente deste tipo de pensamento que se formam teorias que estão na base das arquitecturas formalistas, tão características do Ghery, da maior parte dos arquitectos californianos e cada vez mais em voga. Acredito que possam existir 'espaços sem nome', mas esses estão naturalmente integrados dentro de um programa (um exemplo desses poderá ser a forma como poderás projectar uma habitação tendo alguns quartos que permitam - pela maneira como estão localizados, pela forma, pelo acesso, por seja o que for - uma transformação, uma alteração de uso. Estes 'espaços sem nome' estariam obviamente ligados a outros cuja utilização seria totalmente inflexível. Não acredito em edifícios que possam subsistir apenas como objectos. Citas Kahn e obviamente que é isso mesmo! São espaços que servirão para nada.
Digo-te mais.
Na passada terça-feira fui assistir a uma conferência do Eric Owen Moss. Um antigo desconstrutivista que agora alterou completamente o discurso (permanece formalista). Como sabes, é igualmente californiano. Esteve um tempo interminável a explicar o Marinsky theatre, em Moscovo, no qual participou no concurso. Acredita que foram duas horas a falar em forma. Três prismas que depois se contorciam, brincadeiras com sacos de plástico, aperta ali que eu aperto aqui, põe mais para a esquerda, mais para a direita..acho que assim está bem. Passou outro tempo interminável a brincar com as animações que tinha feito e perspectivas como se fosse um jogo de computador. O homem até era divertido, tinha uma pronúncia ainda com mais piada, mas de facto tenho uma definição de arquitectura bem diferente.
Era contra este tipo de argumentos que me pretendia insurgir. O brincar aos legos como se a arquitectura pudesse ser reduzida a isso.
Falando do Ghery, reconheço que ele tem invenção de espaço. Reconheço que ele tem imenso mérito na forma como conseguiu traduzir todo um pensamento para uma linguagem muito própria. Acho também a sua figura bastante caricata. Mas o que ele faz são assumidamente objectos.

A arquitectura tem obviamente uma função estética mas nunca será o seu valor primordial. Nunca esta sua função poderá ser elevada para um plano em que a obra construida deixa de servir um certo tipo de programa e um certo tipo de público para ser um produto de um ego com necessidade de reconhecimento. O 'fuck the programme' é uma tentativa de relativizar uma arquitectura completamente individualizada. Onde cada obra surge tentando absorver toda a envolvente. Onde, de repente, deixou de haver invenção para ser fogo de vista.

Relativamente ao Complexidade e Contradição, de facto é uma leitura que não cansa. Já o li, mas não me lembro de referências de maior no que concerne ao ornamento. Lembro-me, isso sim, da curiosa crítica ao Mies do "Less is a bore". No entanto, Venturi reconhece ter um desejo de simplicidade ( e não uma simplificação que será 'simplicidade pela redução') como uma satisfação para a mente. Ele refere um desejo por profundidade no pensamento arquitectónico fazendo a apologia da riqueza em significado. Essa complexidade que nos fala, não será certamente traduzida pelo número de eventos até porque finaliza o seu argumento com o óbvio, "More is not less". A sua complexidade não se traduz necessariamente na ostentação escultural das obras do Ghery.
Espero que agora, o meu post faça sentido.
Abraço

p.s.- ainda bem que achaste que a votação estava destituída de sentido. Nunca a tomei como séria! Aceita-a como um entretenimento, um fait-divers (dito à maneira do Telmo do famoso BB). No entanto, fico contente que tenhas participado. Devo dizer-te que o meu voto foi para o hARDbLOG.

|

sexta-feira, março 26, 2004

Fuck the programme? 

..em resposta ao hARDbLOG, quando ele diz que se assusta com a palavra ornamento. A mim, assusta-me muito mais isto:

Kees Christiaanse, Julho 2000

"During the presentation of the 'Pakhuizen' project on the Oostelijke Handelskade in Amsterdam, the architect Felix Claus was asked why his design for an apartment block didn't look like an apartment block. 'Because,' he replied, 'I designed a squatted office building.' Around the same time I showed a client around the new building for the Rotterdam Polytechnic and remarked that we had actually made a converted warehouse. This fact inspired the man to commission us to design a building in the form of a spatial - architectonic sculpture, the programme of which could be determined at a later stage.

A converted warehouse is the perfect accommodation for a communications consultancy. So perfect that a new building designed in accordance with a carefully prepared building programme would never have achieved a comparable character and quality. (...) The success of this form of cultural recycling lies not just in the historical component and the location, but also in a strong architectonic character and a certain dimensional grandeur (not to be confused with the naive concept of 'flexibility' which usually results in bland buildings).
(...)
Evidently, buildings turn out better when they are not designed for a specific programme, and building and programme are obliged to make radical adjustments to one another. Sometimes this results in an enormous release of energy. Occasionally the building succumbs to the whole process.
(...)
The recycling and typologizing of designs is a frequent occurrence in history. As a small boy growing up in Amsterdam South I was firmly convinced that it was possible to see Central Station from De Lairessestraat and later on I discovered that the Rijksmuseum stands on the banks of the IJ. Until well into the 19th century it was quite normal to design city blocks and public buildings as identifiable types while relegating the programme to a subordinate role.
(...)
In late May, Rem Koolhaas addressed a gathering of over 1200 people in Berlin and exhibited his winning design for a theatre in Oporto, Portugal. This building is an enlarged version of an earlier design for a house. Koolhaas's 'fuck context' philosophy, as applied to the competition for the Rotterdam Luxor Theatre for which he produced a revised version of his Cardiff opera house design, has evidently been extended to 'fuck the programme'. The man who for twenty years has let programmatic parameters guide his designs has finally arrived at the lobotomy he so beautifully described in Delirious New York.

The day after Koolhaas, Peter Eisenman lectured to fewer than 400 people in Berlin and showed his winning design for a museum at the Staten Island Ferry Terminal, a 'morphed-warped' structure. A baseball stadium had been already added and then removed again at the behest of a capricious client. At the design presentation, the mayor of New York had asked: 'What's in it?' 'A museum,' Eisenman replied, 'but do you care?' 'Do I care, what do you mean?' demanded the mayor. 'Do you know Bilbao?' asked Eisenman. 'Yes,' replied the mayor. 'Do you think it matters, whether there is a museum in it, or not?' grinned Eisenman, to which the mayor replied, 'Eh, hm... no!..., ok let's also build a Ball-Buy-O.'

So it's OK to design without a programme. I blush to recall a dispute with Ben van Berkel (all of 10 years ago, incidentally) who responded to my remark that you should have at least three valid reasons for drawing a curve, by subtly informing me that he did not allow his architecture to be constrained by Cartesian motives. He was absolutely right! Nowadays Van Berkel's designs are guided not just by the construction but by many other parameters, including socio-psychological ones that consultants (known as 'pathfinders') feed into computer programs that manage an entire design task. I hope for Van Berkel's sake that his programs contain enough fuzzy logic to equal Nietzsche's fröliche Wissenschaft when it comes to solving complex tasks. At least he can rest easy in the knowledge that his buildings will function even better in their next incarnation.

The person who knew all about this was Kasimir Malevich, who stated that his Architektons had to be conquered by a civilization that merited them. 'Architektons simply exist, without function, built of opaque or transparent glass, concrete, bitumen felt, heated by electricity... everywhere accessible to the occupant who in fine weather is able sit out on its surface.'"

|

about autocad.. 

This work is protected by U.S. and international copyright laws. Its use is subject to the terms of the license agreement included with this software and agreed to during the installation process. (c) 1982-2002 Autodesk, Inc. All rights reserved.

Typefaces from the Bitstream (R) typeface library (c) 1992.

Typefaces from Payne Loving Trust (c) 1996. All rights reserved.

International CorrectSpell(TM) Spelling Correction System (c) 1995 by Lernout & Hauspie Speech Products, N.V. All rights reserved.

ACIS (c) 1989-2001 Spatial Corp. All rights reserved.

(c) 1996-2002 Microsoft Corporation. All rights reserved.

Active Delivery(TM) 2.0. (c) 1999-2000 Inner Media, Inc. All rights reserved.

Portions (c) 1991-1996 Arthur D. Applegate. All rights reserved.

Portions of this software are based on the work of the Independent JPEG Group.

AnswerWorks 3.0 (c) 1997-2000 WexTech Systems, Inc. Portions of this software (c) Lernout & Hauspie, Inc. All Rights Reserved.

Copyright (c) 1999-2000 The Apache Software Foundation. All rights reserved.
This product includes software developed by the Apache Software Foundation
(http://www.apache.org) subject to its license terms and conditions
(http://xml.apache.org/dist/LICENSE.txt).

PANTONE(R) Colors displayed here may not match PANTONE-identified standards.
Consult current PANTONE Color Publications for accurate color.
PANTONE(R) and other Pantone, Inc. trademarks are the property of Pantone, Inc. (c) Pantone, Inc., 2002

Licensing Technology Copyright (c) Macrovision Corp. 1996-2002.

RAL DESIGN (c) RAL, Sankt Augustin, 2002
RAL CLASSIC (c) RAL, Sankt Augustin, 2002
Representation of the RAL Colors is done with the approval of RAL Deutsches Institut für Gütesicherung und Kennzeichnung e.V. (RAL - German Institute for Quality Assurance and Certification, reg. Assoc.), D-53757 Sankt Augustin.
Please note that the representation of colors on monitors can only approximate the actual color shades as they are registered as lacquered samples. Neither the quality of the present software nor the hardware used is responsible for it.

(c) Stade de France - Macary, Zublena et Regembal, Costantini - Architectes, ADAGP - Paris - 2003

..já percebi porque demora tanto tempo a entrar..

|

Sexta-feira ou a Vida Selvagem 

É sexta-feira.
Vem a revolução interna: trabalho hoje ou deixo tudo para o fim de semana?
Não pode ser. Hoje tem que render. Tou lixado, nunca mais consigo acabar isto.
Mas é sexta-feira. E os intervalos duram mais que o trabalho.
Se tivesse uns olhos aqui ao meu lado, até trabalhava.
Se tivesse com a pressão de uma pistola também ia.
Mas não, ando mais a dançar com os ornatos do que com os dedos no Cad.

E depois, hoje há noite. Parece que já os oiço a sair daqui de casa.
Uma perna acomodada à mesa, a outra à espera do telefone.
Aquele tique nervoso que já não presta atenção a nada.
Saio, não saio. Fico, ou será que o sábado se estica?
Ai a vida selvagem. E o Verão que nunca chega.
Aqui ainda tenho que gramar com chuva. Mas ao sexto dia nem noto.

É impressão minha ou este quarto está mais pequeno?
Mais amarelo. Se calhar precisava de sair.
Espairecer, e ver que o tecto é mais alto.
De repente dou-me conta que isso é mentira: neste país,
tudo debaixo d'água, alguém se esqueceu de nós, e o céu está mais baixo.
Não parecem saber que há aqui alguém.
É impressão minha ou estou a ficar louco?

Louco, eu? Nem pensar nisso, não tenho tempo.
Mas o tempo estica, pedro. Lembra-te disso.
Sim lembro-me. Mas quem és tu?
Estou aqui, sou a voz amiga da consciência.
Não. Essa sou eu. Deixa-te de tretas e trabalha.
Sim, acho que sim. Se calhar não.
Larga o computador e vai jogar à bola.

|

quinta-feira, março 25, 2004

Uma 'tira' de cara nova 

Hoje adquirimos uma nova cara. Uma pequena operação plástica que tenta traduzir o que será o extractos em imagens. Nem que seja para tirar aquele ranhoso template que estavamos a usar!
Neste espírito de inovação, fica o desejo de ir mudando o visual todos os meses.

|

Torre de Babel 

"To stay viable after the opening of the tunnel between England and the continent, the ferry companies operating across the channel propose to make the crossing more exciting. Not only would the boats turn into floating entertainment worlds, but their destinations - the terminals - would shed their utilitarian character and become attractions. The original Babel was a symbol of ambition, chaos, and ultimately failure; this machine proclaims a working Babel that effortlessly swallows, entertains, and processes the travelling masses. The theme reflects Europe's new ambition; the different tribes - the users of the terminal - embarking on a unified future."
O.M.A em S,M,L,XL


Projecto para um terminal marítimo em Zeebrugge (1989)
O extracto que transcrevi, aparece como introdução ao projecto.
Comentários?

|

quarta-feira, março 24, 2004

As Jaulas do Louco 

"No jardim de meu pai há duas jaulas.
Numa está um leão que os escravos de meu pai
trouxeram do deserto do Nivanah; na outra há um pardal
que não canta.
Todos os dias, ao amanhecer, o pardal diz ao leão:
Bom dia, irmão prisioneiro!"

Khalil Gibran

|

Arquitectura e Ilusão 

"But no, you imitators and surrogate architects, you are mistaken! The human soul is too lofty and sublime for you to be able to dupe it with your tactics and tricks. Of course, our pitiful bodies are in your power. They have only five senses at their disposal to distinguish real from counterfeit. And at that point where the man with his sense organs is no longer adequate begins your true domain. There is your realm. But even here - you are mistaken once more! Paint the best inlays high, high up on the wood ceiling and our poor eyes will have to take it on good faith perhaps. But the divine spirits will not be fooled by your tricks. They sense that even those intarsia decorations most skillfully painted to look 'like inlay' are nothing but oil paint."
Adolf Loos em Spoken into the Void: collected essays 1897-1900

|

terça-feira, março 23, 2004

Para o Projecto, o blog 

Fiquei pasmo. Queria responder. Parei. Resolvi responder aqui.
Queria, sem que ficasse a menor dúvida, defender o Projecto.

Li, noutro blog que também trata de arquitectura e vida, um ataque do mais cobarde possível. O esconder-se por detrás de um ecrãn de computador para se poder dizer todas as barbaridades. Chegar a um extremo de falta de senso para poder despejar toda uma raiva acumulada. Confesso que estive afastado e que só agora li esse post antigo e que me causou este espanto.

Escrevo, em primeiro lugar para defender o espaço do Projecto na esfera bloguística. Em segundo lugar porque muitas vezes é esquecida que a formação do arquitecto se faz, não só daquilo que se vai aprendendo nas aulas, nas conferências e nos corredores. Um mau indivíduo, será um mau arquitecto.

Na maior parte dos casos, concordo com o Lourenço e António. Queria, se calhar encontrar mais pontos divergentes para daí provocar alguma discussão. Afirmo, com toda a honestidade que é raro o dia em que não visito o blog deles. E visito-o sempre porque, para além de aprender, é uma óptima fonte de informação, de discussão, num blog sobre arquitectura que consegue ser único. Sabe bem onde se insere não fechando as portas a mudanças. Sabe manter o seu tom num limiar da formalidade, que aliás é uma das características que mantêm o blog num patamar onde deverá estar a discussão da arquitectura. Sabe ser controverso, sabe concordar. Sem querer continuar a bajulação, não poderia escrever o que pretendo sem antes afirmar com todas as letras e consequentes palavras, que o 'extractos' surge igualmente de uma vontade que nasceu com o Projecto.
Acrescento apenas que, conheço as pessoas que fazem o Projecto, mas por aí nos ficamos. Um conhecimento.

A segunda parte deste post vem com uma tentativa de dar uma lição. Uma lição que fala de liberdade. Algo que não tenho dúvidas que eles já sabem mas que incrivelmente parecem esquecer. A formação do arquitecto está intrinsecamente ligada à formação como indivíduo. Aquilo que tu queres ser como pessoa e aquilo que queres ser como arquitecto (no caso a que me refiro..será provavelmente..arquitectA), são coisas que correm em paralelo. Não se desligam. E será algo que começas e educar-te AGORA.

Lembro-me de uma história:
O Papa João XXIII (não interessa o ser Papa..interessa a história), na altura ainda Núncio Roncalli, esteve num jantar com um político que tinha ideias e ideais completamente diferentes das dele. Passaram o jantar a falar de tudo o que existe entre o céu e a terra. Acabaram o jantar, e Núncio Roncalli vira-se para o homem e diz-lhe: "De facto, a única coisa que nos separa são as ideias!". E não é que Roncalli não desse importância às ideias. Apenas não as punha na posição centralizante que normalmente as pomos! Atacar um pessoa pelas suas ideias, é estar a errar o alvo. É estar a dizer que a pessoa é, aquilo que pensa. E não poderá haver nada mais errado nisso! Atacar uma pessoa por detrás da máscara da internet é ainda mais baixo. Porque não sabe, nem consegue controlar uma raiva que leva dentro. E para chegar a esse nível é preciso estar mesmo muito mal. Lembra-te, daquilo que és. AQUILO QUE TU ÉS. És muito mais que momentos, decisões, atitudes, ideias e posições.
Compreender isto, é começar a saber o que é a formação do indivíduo. O arquitecto não poderá ser fruto de um ego. Não poderá ser fruto de uma vontade recalcada que se centra em si. O arquitecto é uma profissão de serviço por excelência. A arquitectura, a verdadeira Arquitectura, é para as pessoas. E nesse sentido, só terás bem presente o que isso significa naquilo que fazes, se tiveres bem presente naquilo que és.

Só aí poderás partir para perceber o que será ser livre. A liberdade não te dá o direito de insultares e dizeres tudo o que te vem à cabeça. Isso (perceberás se te vires confrontada com o silêncio), é o mais puro dos vazios. E a liberdade é cheia. Aprende qual a tua prerrogativa como indivíduo e aprenderás qual a tua prerrogativa como arquitecta.

Tudo isto que te digo, tenho a certeza que já sabias. Era só para te recordar.

|

Resultados.. 

..da primeira votação sobre a geração de arquitectos mais proeminente:
Primeiro lugar - ARX
Segundo lugar - Atelier Santos em ex-aequo com Promontório Arquitectos

Sugestões para a próxima votação, via email ou na caixa de comentários
(o aki tem também uma votação com resultados que esperamos ser interessantes!)

|

Pritzker 

Torci o nariz mas..sem dúvida que é Merecido: Zaha Hadid.
Espera-se que seja a primeira de muitas mulheres.
Aguardamos para ver o que nos reserva.
Ela também abre portas. Não falo no que às mulheres diz respeito; falo na liberdade que conseguiu trazer para o campo da arquitectura, numa linguagem muito dela. Numa evolução que todo o seu trabalho tem tido ao longo do pouquíssimo tempo que ainda tem como arquitecta. A maneira como conseguiu vingar num mundo feito pouco ao seu preceito. A sua visão, estranha, mas cada vez mais adequada.
Espanta-me que eu gosto!

|

domingo, março 21, 2004

Em dia para a poesia 

Para uma amiga, que me leu, e me fez suspirar fundo.
Partilho:

(Poemas de Deus e do Diabo)
Cântico Negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.


Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

José Régio

|

sexta-feira, março 19, 2004

Só mais uma pequena delicia  

Para matar saudades a quem está longe e encher de força o peito de quem se debate com um cliente ou professor muito chatos...

No mesmo artigo o Arq. Graça Dias cita Manuel Vicente na sua máxima:

"Por detrás de uma grande obra está sempre um clente muito chato"

Agora deixo á imaginação de quem conhece o som da gargalhada profunda que Manuel Vicente daria logo a seguir a dizer tal coisa...

|

Uma pequena citação 

Gostaria de, indirectamente, dar o contributo de um conhecido arquitecto do meio, (Graça Dias) para a conversa sobre o estrelato e os reflexos inerentes na sociedade.

"Esta coisa do "estrelato" é terrivel, já ninguém pensa em ser arquitecto para construir coisas porreiras e para as pessoas viverem bem, mas só para fazer umas coisas "muito giras"".

"As pessoas são muito pouco criticas em relação às coisas, embarcam num registo completamente neo-conservador convencidos que estão na crista da onda."

"Agora, há uma recentíssima geração - que, cinicamente, talvez também saiba que aquilo não é nada,- que finge acreditar para "vender" melhor. Trabalham uma zona definitivamente comercial. Para não perderem os trabalhos, dizem as maiores baboseiras, embarcam nas maiores demagogias, e não têm a hombridade de dizer "meus senhores, eu não acredito em nada disto, não é assim que se faz cidade."."

É claro que o Arquitecto diz muito mais na sua entrevista e que o que é aqui apresentado ácaba por causar uma filtragem daquilo que é dito, eventualmente descontextualizando um pouco.

Só acrescento que, quanto a mim, é com esta ultima geraçam de que o arquitecto fala que temos que ter muito cuidado, poder-se-ia comparar com vender a alma a voces sabem quem...

by. Arq Manuel Graça Dias
in revista do meio (para não fazer publicidade...)

|

quinta-feira, março 18, 2004

Manual do Messias 

'Não fiques desanimado com as despedidas.
Uma despedida é necessária antes de
poderes ter novo encontro.

E um novo encontro,
após momentos ou tempos de vida,
é certo para aqueles que são
amigos.
'
(Richard Bach em "Ilusões")

Confrontado com a despedida, apetece-me meter bem cá dentro este ensinamento do Manual.
Conseguir interiorizar para nunca deixar de acreditar.
Há tanto que não entendemos, há tanto que nunca saberemos agarrar.
Há coisas destinadas a se remeter no mistério.
Esta despedida é uma delas.
Assalta uma dor imensa que não compreende.
Pensa. Sabe que o caminho é da entrega. Permanece o mistério.
E a certeza que novo encontro se realizará.

Uma relação não se faz certamente apenas das presenças.
E é isto que o mistério nos ensina e nos dá:
a certeza que nos vamos mantendo unidos,
que os abraços se podem dar mesmo sem contacto.
Porque sim. Porque o sinto. Porque sei.
Estes são sem dúvida, os amigos.

|

quarta-feira, março 17, 2004

Visitas 

Desculpem-me a ausência nestes dias. Estou a receber amigos que me vêm visitar a esta pequena vila, entitulada por mim como...fim de mundo!
Vou estar em missão de guia, tentando conciliar com tempo de trabalho. O 'extractos', ficou até à próxima 3a-feira, em segundo plano. Que meus companheiros bloguistas possam tomar conta.
Até ja!

|

segunda-feira, março 15, 2004

Modernização 

“A Klee painting named ‘Angelus Novus’ shows an angel looking as though he is about to move away from something he is fixedly contemplating. His eyes are staring, his mouth is open, his wings are spread. This is how one perceives the angel of history. His face is towards the past. Where we perceive a chain of events, he sees one catastrophe, which keeps piling wreckage upon wreckage and hurls it in front of his feet. The angel would like to stay, awaken the dead, and make whole what has been smashed. But a storm is blowing from Paradise; it has got caught in his wings with such violence that the angel can no longer close them. This storm irresistibly propels him into the future to which his back is turned, while the pile of debris before him grows skyward. This storm is what we call progress.”
Walter Benjamin em "Theses on the Philosophy of History" in Illuminations


|

sábado, março 13, 2004

Chega a ser obsessão 




"Eu sei que atrás deste universo de aparências,
das diferenças todas,
a esperança é preservada.
Nas chícaras sujas de ontem,
o café de cada manhã é servido.
Mas existe uma palavra que eu não suporto ouvir,
e dela não me conformo.
Eu acredito em tudo, mas eu quero você agora.
Eu te amo pelas tuas faltas, pelo teu corpo marcado, pelas tuas cicatrizes,
pelas tuas loucuras todas, minha vida.
Eu amo as tuas mãos mesmo que por causa delas,
eu não saiba o que fazer das minhas.
Amo o teu jogo triste.
As tuas roupas sujas, é aqui em casa que eu lavo.
Eu amo a tua alegria,
Mesmo fora de si, eu te amo pela tua essência
E até pelo que você podia ter sido,
se a maré das circunstâncias não tivesse te banhado nas águas do equívoco.
Eu te amo nas horas infernais e na vida sem tempo,
quando sozinha bordo mais uma toalha de fim de semana.
Eu te amo pelas crianças e futuras rugas.
Te amo pelas tuas ilusões perdidas e pelos teus sonhos inúteis.
Amo o teu sistema de vida e morte.
Eu te amo pelo que se repete, e que nunca é igual.
Eu te amo pelas tuas entradas e saídas e bandeiras.
Eu te amo desde os teus pés, até o que te escapa.
Eu te amo de alma para alma e mais que as palavras.
Ainda que seja através delas que eu me defendo,
quando digo que te amo mais que o silêncio dos momentos difíceis,
quando o próprio amor...vacila."

"Pra Rua me Levar", Maria Bethânia







|

Aquele Abraço 

"Quando a primeira palavra me chegou aos lábios
subi à montanha e falei com Deus: 'Senhor, sou teu
escravo. A minha lei é o teu desejo mais oculto e sempre
terás minha obediência'.
Mas Deus não respondeu.

Mil anos depois tornei a subir à montanha sagrada
e disse: 'Sou teu, de barro me fizeste e devo-te o que sou'.
Mas Deus não respondeu.

Mil anos depois escalei a montanha sagrada e de
novo me dirigi a Deus: 'Meu Deus, sou teu filho, deste-me
a vida e com amor e veneração herdarei o teu reino'.
Mas Deus não respondeu.

Mil anos decorridos subi outra vez à montanha:
'Meu Deus, és a minha esperança suprema e a minha
plenitude. Sou o teu passado e tu o meu futuro, sou a
raiz na terra e tu a minha flor no céu, juntos cresceremos
voltados para o sol'.
Deus inclinou-se para mim e murmurou belas
palavras. E como o mar acolhe o rio, assim Ele me
acolheu.

E quando desci ao vale e à planície Ele veio comigo."

Khalil Gibran em "O Louco"

Também eu, já tive abraços assim.

|

sexta-feira, março 12, 2004

ATENçÃO 

Poderia começar aqui a escrever com algum CUIDADO, com virgulas, e pontuação(!),um texto sem mais acabar. Falar como se nada fosse, porque não existiria compromisso algum, e sem somente saber onde vai parar. Falar disto, daquilo, e de tudo, sem nada dizer. As palavras banais escorrem mesmo como ESTE leite com chocolate cuja garrafa se encontra mesmo ao meu lado, ainda por metade.
As palavras são imensas, e as portuguesas "são aos montes, e às Serras impossíveis de escalar", no entanto poderão tornar-se um chorrilho sem dizer coisa alguma num único TEXTO, sem mais nada a acrescentar neste mundo. Felizmente poderei seguir em frente com esta fraca literatura que pouco a pouco vai crescendo, vai sendo contruida, palavra a palavra, suportando o peso de outras palavras que são como pedras embora NÃO menos importantes, mas que suportam o essencial da mensagem.Mas o que importa é continuar a saga, até à morte, até ao fim, para depois de completado o ciclo resguardar-me na sombra de uma cobertura contruida com as pedras de um material qualquer tectónicamente e emocionalmente aprovado. Glup, mais um gole do leite achocolatado. FAZ mal saber de antemão que tudo aquilo que se escreve "não vale a pena, não vale uma fisgada dessa dor " , sentindo-me num alvo à mercê de todos os tiros (e mais algum). Fico, de facto, SENTIDO em saber que tudo felizmente será limpo, e que alguem me irá desculpar por ter uma quantidade demasiado grande de palavras, mas agora é so fazer a filtragem.

|

NO TITLE 

Gosto de ver raparigas giras...
Gosto de ver raparigas giras,
em pé, sentadas,
a cantar, a falar, ou
caladas, a conduzir (um carro, uma bicicleta, um tractor ou uma trótinete),
a dançar, a pular, a fazer a roda, a correr, ou até mesmo a fazer de estátua!
Gosto de ver raparigas giras,
a escrever, a desenhar,
a garatujar, a ler( em voz alta e em voz baixa, ou somente para si),
a gesticular com as mãos , a discutir,
a protestar, a observar e a pensar,
a tocar( guitarra, bateria, saxofone, contrabaixo, piano...),
a sonhar, a voar para longe daqui.
Gosto de ver raparigas giras,
sozinhas, acompanhadas, a sorrir,
a rir(baixinho, aos soluços, à gargalhada...),
a chorar, tristes ou alegres, felizes, desiludidas com o mundo ou
cheias de esperança .
Gosto de ver raparigas giras,
na praia, no campo, de T-shirt,
de sobretudo, de cachecol, de chapéu,
com relógio.
Gosto de ver raparigas giras,
pobres, ricas, que rezam,
que blasfemem , que são putas, que são freiras, que apanham chuva,
que apanham sol, que têm calor ou frio!
Gosto de ver raparigas giras,
que gostam de ver TV, ouvir rádio, ver DVDs ou ouvir CDs (gravados ou originais).
Gosto de ver raparigas giras, novas(não muito!), velhas, de meia idade,
vaidosas, modestas, egoístas ou generosas, que dão beijos e abraços.
Gosto de ver raparigas giras, morenas, loiras, ruivas, azuis, pretas, amarelas, verdes,
encarnadas, do Norte, do Sul, de Este e Oeste, de Lisboa, de Amesterdão,
Roterdão, de Den Haag:), de Barcelona,de Madrid, do Porto,
do Funchal de Oeiras e Vila Real de Sto António e ainda de Freixo de Espada à Cinta!

Gosto de ver raparigas giras,
no cinema, no teatro, nos museus,
no bar, na cantina, nos anfiteatros cheios,
nos transportes, nas estações e apeadeiros.
Gosto de ver raparigas giras
aqui, ali e acolá,
de manhã, à tarde, à noite, durante um segundo, um minuto, uma hora, uma eternidade!

Gosto de ver Raparigas Giras na Lua, em Mercúrio, em Vénus, na Terra e em Marte!

Há raparigas giras em Marte???????


|

A Liberdade sabe quanto vale um beijo 

"Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar"

'A gente vai continuar', Jorge Palma

|

Votação 

O extratos iniciou hoje, na barra lateral, um novo entretenimento. Uma pergunta semanal, um número razoável de escolhas. Os resultados serão, obviamente, comunicados posteriormente. Participem!
Se tiverem sugestões para novas perguntas podem sempre 'emailar-nos' ou deixar nos comentários.

Devo referir que esta primeira pergunta está sujeita a graves omissões nas escolhas. Foram os que me surgiram no momento.

|

quinta-feira, março 11, 2004

Mi Casa es Tu Casa! 

Modelo : DT8078
Marca : Monte Campo
Peso : 2,3 kg
Características : nº pessoas 2
duas portas com rede interior
armação: 7,9 mm fibra de vidro
dimensões: 130x210x95 cm

Preço : € 81,00


solidariedad para con Nuestros Hermanos! 11.03.2004

|

Star System 

Se calhar as perguntas que o Dinis coloca uns posts aqui em baixo [Entrar a Matar], esperariam uma resposta fora deste blog. No entanto, gostaria de entrar nas entranhas do Dinis e ir la roer mais um pouco. Assim sendo, digo-te que não me convenço muito com uma "evolução da maneira como a 'populaça' olha para a arquitectura"(palavras tuas!). Muito simplesmente porque isso não é do seu interesse. Também me move esse desejo obscuro de um dia, eventualmente utópico, as pessoas percebam que o trabalho do arquitecto é muito mais que uns simples desenhos. Bastar-me-ia apenas, o reconhecimento de um certo estatuto da profissão, passando do arquitecto-artista, para arquitecto-arquitecto. Alguém cujo trabalho é essencial no viver da cidade. Alguém que de facto, se move com sentido de responsabilidade social e não com pseudo-criações artísticas. Apenas esse estatuto me satisfaria. Voltando à tua questão, queria explicar porque não acredito nessa sensibilização. Vives numa sociedade que o Jorge conseguiu exprimir bem no extracto do Kafka e que eu tentei completar com o "dinheiro e espaço público". Uma sociedade bastante individualizada e que vive muito à superfície. A velocidade, as opções, a tecnologia, o conforto, a fast-food, a fast-culture, o fast-seja o que for, não abre grandes espaços para grandes reflexões e a arquitectura entra na cabeça das pessoas consoante a maneira que lhes for vendida. É uma sociedade com caracter transitório mas que no entanto se agarra, com unhas e dentes, às réstias de sentido de comunidade a que tem acesso. É aqui que julgo haver espaço para o arquitecto progredir.

Todos querem um projecto Siza ou Ghery mas não saberão concerteza explicar porquê. Ou melhor, querem o Ghery, porque aparece recorrentemente nos jornais, na televisão..está na moda! Para quem só agora conheceu este arquitecto, ainda não teve tempo para se fartar dele! O Siza é outro mediático muito bem vendido. E ainda bem que o é. É nosso e é bom. Portugal, no seu essencial, ainda tem muito poucas expressões modernas na sua arquitectura. Só agora começa a despertar. Obviamente, que se olhares para a sociedade de mutação já abordada, o que as pessoas querem é algo diferente. E nesse sentido, qualquer um dos teus exemplos é certamente contrastante com o que existe. A evolução para estas novas referências será algo perfeitamente natural. Não haverá, neste momento, grande espaço para que o Siza (por exemplo) se esgote. Já não existem movimentos 'e todos por um', com regras estabelecidas e princípios a aplicar(como o moderno). Existe diversidade, e nesta diversidade existe possibilidade de escolha.

Se olhares para o star Koolhaas, do pouco que consigo perceber daquilo que ele faz, ele não se mete com grandes teorias de contestação nem produz uma arquitectura que procure contrariar a sociedade tecnológica. Muito pelo contrário, ele analiza e aplica. A sua arquitectura é um reflexo da sociedade. Ele oferece aquilo que a sociedade quer.
Quanto a mim, e apesar de o ver como uma resposta adequada à rebelia do nosso mundo, procuraria ir um pouco mais fundo. Tocar apenas, naquilo que vale a pena ser continuado. Não me perguntes como, apenas dir-te-ia que o trabalho do arquitecto tinha de estar ligado àquela réstia de profundidade presente em qualquer pessoa. Ir na corrente, sem dúvida, mas saber extrair o melhor.
Não passaria por esgotar o que existe. O tempo o fará certamente.

|

quarta-feira, março 10, 2004

Manual do Messias 

"A marca
da tua ignorância é a profundidade
da tua crença na injustiça
e tragédia.

Aquilo a que a lagarta
chama fim do mundo,
o mestre chama
borboleta."

extracto de Richard Bach em "Ilusões"

|

Aquisição de vulto! 

É verdade. A grande novidade do dia prende-se com a aquisição de um novo membro para a equipa do Extratos. Um grande amigo, companheiro de curso, e um grande pensador. (melhor parar senão daqui a pouco estou a chorar!)
Bem-vindo Dennis!

|

Entrar a matar 

Bom como bom principiante vou mandar cá para fora uns pensamentos que me andam a roer as entranhas nos ultimos dias e isto vai parecer uma estupidez...mas...aqui vai
Será que o sucesso do star system está a contribuir para uma mentalização da população geral para a questão de uma cultura de arquitectura. Será que com este fenómeno de todos quererem um projecto Siza ou Ghery está realmente a contribuir para a evolução da maneira como a "populaça" olha a arquitectura?
Digo isto porque no outro dia estivemos a falar sobre os "rococos" e os excessos que a construção aplica por todo o país e que terá alguma coisa a ver com o "típico" e surgiu-me depois a ideia de o que aconteceria se o dito "típico" de repente passasse a ser o Siza, por exemplo???? É que se olharmos para o que se faz na "populaça" com atenção poderemos encontrar alguma relação já com as Torres das Amoreiras que ao que parece foi a obra que revolucionou a maneira de olhar o arquitecto aqui há uns vinte anos. Ou seja, será que está na altura de tentar avançar de novo e apostar em novas referências ou devem-se esgotar aquelas que ainda existem estão debaixo do olho das populações mais atentas?

|

terça-feira, março 09, 2004

o lugar da arquitectura 

"A Arquitectura deverá ter a generosidade de espírito de interpretar um papel de suporte à arte, e não sobre-potenciar a arte com criações artísticas dela própria. Nem deverá - o que será muito pior - explorar a arte como decoração para a Arquitectura."
- do artista, Markus Lûpertz

|

Sem sura 

O homem sem nome continua sem poder de decisão. Anuncia, hesita, espera mais um pouco, avança..'tás com medo pá?
Justifica lá o link!

|

segunda-feira, março 08, 2004

dinheiro e espaço público 

"Shopping is arguably the last remaining form of public activity. Through a battery of increasingly predatory forms, shopping has infiltrated, colonized, and even replaced, almost every aspect of urban life. Town centers, suburbs, streets, and now airports, train stations, museums, hospitals, schools, the internet, and the military are shaped by the mechanisms and spaces of shopping. The voracity by which shopping pursues the public has, in effect, made it one of the principal -if only- modes by which we experience the city."

"Perhaps the beginning of the twenty-first century will be remembered as the point where urban could no longer be understood without shopping."

'Project on the City2' em "Harvard Design School - Guide to shopping"

E o arquitecto enfia a carapuça e trabalha com o que existe!

|

Herói 

É exactamente nestes momentos.
Quando nos persegue um mal-estar. Algo que nos paralisa os braços quando a cabeça parece não querer descansar.
Queria produzir. Conseguir ter aquele dom dos heróis que sempre extravasam.
Daqueles que não conhecem a dor do cansaço. Que vão sempre descobrindo com o sorriso na boca.
Não encontro nem sei como sair desta permanente apatia.

Afinal não há heróis. Tudo é puxado a ferros.
Gostava de acreditar nos momentos de descoberta.
Quando pegas as mãos dobrando os dedos bem no alto.
Desconjuntados. Mal dormidos. E vem a fresta de esperança que cobre todos os desânimos.

São esses os momentos que os heróis mantêm.
Eternizam e vivem-no no cansaço.
Acolhem o desânimo de braços abertos porque sabem que algo grandioso está por chegar.
A descoberta.

O Herói. Desde sempre o soube. Nunca duvida do grande sorriso que está para surgir.
Soou. Gemeu. Chorou. Morreu?
Mas a descoberta ninguém Lhe tira. Vive para descobrir.

A descoberta sempre soube abafar.
Nunca apagou o quebranto. Nunca foi essa a sua intenção.
Existe a dor, para conseguir apanhar a plenitude da descoberta.
Conseguir sequer raspar os seus recantos,
tocar-lhe ao de leve.
É exactamente nestes momentos,
que gostava de ser herói.

|

sábado, março 06, 2004

Pura rotina! 

"... após um turno de doze horas, em que deixava o trabalho às 6 horas da tarde durante três dias seguidos e durante os três dias seguintes às 6 da manhã, ele estava tão cansado que ia direitinho para a cama sem ligar a ninguém."

in América ; Franz Kafka

|

Eternos 

So you think you can tell
Heaven from hell,
Blue skys from pain.
Can you tell a green field
From the cold steel rail
A smile from a veil
Do you think you can tell?

And did they get you to trade
Your heroes for ghosts
Hot ashes for trees
Hot air for a cool breeze
Cold comfort for change
And did you exchange
A walk on part in a war
For a lead role in a cage?

How I wish, how I wish you were here.
We're just two lost souls swimming in a fish bowl,
Year after year.
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears.
Wish you were here.

Pink Floyd
Wish you were here

|

sexta-feira, março 05, 2004

Siza 

Goste-se ou não, tenho cada vez mais a certeza que nos abriu muitas portas.
Para terminar esta afirmação em beleza, um extracto seu (descontextualizado soa sempre melhor):
- "o mesmo não é nunca o mesmo"

Minto. Serão dois extractos..
- "Tenho a certeza de que a minha obra foi influenciada pela de Aalto, mas também por centenas de outros arquitectos. Se isolamos uma influência, estamos perdido. Aprender arquitectura é conhecer o trabalho de muitos criadores."

|

quinta-feira, março 04, 2004

A casa Farnsworth e o Mies 

Se me é permitido, gostava de me meter na discussão d'O Projecto e do Lutz sobre o Mies e a casa Farnsworth.
Assim sendo, gostaria de entrar com uma visão diferente. Apesar de concordar com maior parte do que o Lourenço escreve, penso que ele está a dar um tiro ao lado. É que não se trata de ter como objectivo o fazer de uma obra de arte. Trata-se da concretização de um conceito de habitar (ou de não o fazer), dentro do contexto histórico em que o Mies se insere. Não estou a tentar defendê-lo, apenas digo que o facto da casa ser totalmente inabitável, era sua convicta intenção.

Introduzo o contexto histórico que vem, todos sabemos, das grandes mudanças trazidas pela Revolução Industrial e pelo início da grande discussão acerca da modernidade e sobre o habitar. Nem vou entrar pelos inúmeros pontos de vista que surgiram. Tornou-se uma ideia quase generalizada, que o homem moderno não saberia habitar(1). Com um movimento de vida constante, mudanças permanentes, economia sedenta de novas conquistas, o homem moderno tornou-se naquilo que Heidegger chamou de "homem sem abrigo", aquele que já não se encontra em contacto com o seu verdadeiro ser, aquele que pelo ritmo de vida estaria em permanente movimento, aquele que já não experiência de uma forma tão aprofundada, e que, consequentemente, valoriza a eficiência e a utilidade, instrumentalizando o habitar, retirando-o desse conceito de abrigo.
Uma das perguntas mais frequentes era se habitar continuaria, de facto, a ser possivel, se este diagnostico do 'Homem sem abrigo' estivesse correcto. Mies respondeu que não. Mies assume claramente uma total indiferença para com o habitar. Ele assume esta nova 'faceta' do Homem moderno e considera-a irreversível. Ponto. A sua resposta está presente tanto na casa Farnsworth, como por exemplo no Seagram Building (em Nova Iorque). Assume que esta atitude é a maneira que a arquitectura tem de responder em relação à modernidade.

Cacciari, que partilha da mesma visão, diz: (2) (desculpem...mantenho a versão em inglês)
"As a result of the reduction of the relationship between man and world, as a result of the forgetfulness of being, poetical dwelling [habitar] has become impossible, and therefore poetic architecture has also become impossible. Real dwelling no longer exists, and authentic building has also disappeared. The only thing left over for architecture is to reveal the impossiblity of poetical dwelling through an architecture of empty signs. Only an architecture that reflects the impossibility of dwelling can still lay claim to any form of authenticity. Sublime uselessness is the highest that architecture can attain in these circumstances."

Apesar de estes textos me deixarem completamente em repulsa, a casa Farnsworth é a resposta de uma pessoa convicta naquilo em que acredita. Não é uma tentativa do artista, não é a tradução de um conceito, não se trata de paradoxo nenhum. É algo que resulta de uma visão sobre a maneira como a arquitectura deveria responder às mudanças trazidas pela modernização.

Não deixa de poder ser a pior casa do mundo. Apenas o é, segundo os nossos preceitos sobre o habitar.



(1) - "Building, Dwelling, Thinking", (incluido num conjunto de conferências de Heidegger), 1951
(2) - "Eupalinos or Architecture", Cacciari

|

Bem k podias ter me iludido.. 

jorge diz:
Barret!
Barreto..alívio..PASSÁMOS!! diz:
jorjao!!
jorge diz:
n tenho sido escritor assiduo do blog...mas tenho sido leitor!
jorge diz:
lol
Barreto..alívio..PASSÁMOS!! diz:
estou a comer e so tenho uma mao!!!
jorge diz:
haaaaaaaaaaaa
Barreto..alívio..PASSÁMOS!! diz:
lol..pa desculpar lentidao na escrita..
Barreto..alívio..PASSÁMOS!! diz:
e entao??
Barreto..alívio..PASSÁMOS!! diz:
nao me respondes??
jorge diz:
respondo!
Barreto..alívio..PASSÁMOS!! diz:
ainda nao vi!!
Barreto..alívio..PASSÁMOS!! diz:
nao tem de ser 1a tese...apenas algo k te venha à cabeça...algo k estejas a ler..
jorge diz:
lol
jorge diz:
eu escrevo...alias...tou com vontade de escrever...
Barreto..alívio..PASSÁMOS!! diz:
disseste k tinhas coisas ja escriutas..
jorge diz:
ja...mas num valem muito^!
Barreto..alívio..PASSÁMOS!! diz:é bem!!
Barreto..alívio..PASSÁMOS!! diz:
viste os meus??..tb nao valem!!!..lol
jorge diz:
pois n!
jorge diz:
de facto!

|

Estrelato 

Contaram-me. Eu não presenciei.
Tudo aconteceu numa conferência em que o orador (não me lembro do nome, mas também é pouco relevante para o caso) era um antigo músico e que agora enveredou pela arquitectura.
Na audiência estava o Rem Koolhaas. Até agora, parece tudo normal. A perplexidade só vem depois!
É que, segundo consta, o público andava mais entusiasmado com a presença do Koolhaas (Rem p'ós amigos) do que com o próprio orador.
O entusiasmo foi tanto que se criou uma fila para poderem todos receber o autógrafo do dito cujo!

Realmente este é outro mundo. O arquitecto vira estrela rock (ou mesmo, jogador mediático da bola).
Estou a imaginar a cena: rapariguinhas que foram a correr para casa buscar a T-shirt com a sua imagem impressa; mulheres feitas a mandar piropos e a rir-se com as amigas; rapazolas com o tremelique das pernas; o coitado do orador a falar cada vez mais alto..porém, sem sucesso; o Rem com o sorrisinho de quem diz.."faço isto todos os dias"; a multidão a juntar-se na rua..tudo com o 'S,M,L,XL' (os mais forretas apenas com o 'Delirious NY'); um verdadeiro festival hollywoodesco (sempre quis usar esta palavra!).

Perante esta visão...
ainda bem que sou português!

|

quarta-feira, março 03, 2004

Não quero acreditar! 

Vivo numa residência universitária onde os quartos estão todos ligados, lado a lado, parede a parede. Apenas um corredor de acesso..completamente sinistro (daqueles que faz arrepios e andar mais depressa). O gajo que mora aqui ao lado, aparentemente deve ter comprado um piano. Andou todo o dia nesse entusiasmo.

Não o conheço, nunca o vi. Mas pelo que oiço..só deve ter UM dedo.

|

A exclusão da parte 

Recebi a notícia pelo Projecto.

As Torres do Siza nunca me entusiasmaram. Aliás, a construção de torres sempre me deu um pouco a volta ao estômago. Especialmente quando a sua construção vem associada à ridícula ideia de que caminhamos no sentido da modernidade. Quando se começa a falar de Lisboa, este símbolo da individualidade (leia-se, torre), contrasta com uma das melhores características que a nossa grandiosa cidade tem: o bairrismo, a tradição, e tudo o que de bom vem do 'ser atrasado'. Todas essas coisas onde nos escapam as palavras.

Confrontado com a realidade crua da fraca possibilidade de escolha, obviamente que a parte a excluir se chama Sua Kay. Por felicidade minha, não o conheço. Reconheço algum mérito na sua capacidade de construir bem, rápido, no cumprir programas, na economia. Alguém que sabe que está a lidar com clientes, com dinheiros de outros, que existem requisitos espaciais específicos. Um verdadeiro profissional.

Falta-lhe...ser arquitecto. Esse bocadinho assim!
O saber que as soluções não existem em absoluto.

Digo isto, porque de todo o trabalho que conheço do Sua Kay, não há nenhum que me entusiasme especialmente. Dito por outra forma, se calhar bastaria ter estado na torre de miraflores para que o tivesse apreendido. É aquilo. Acabou.
Mais. No outro dia, encontrei outra torre (estupidamente não memorizei nem o sítio, nem o arquitecto) que tinha um desenho praticamente equivalente (apenas ligeiramente mais gorda). E mesmo esta evidência não me surpreendeu.

A opção SK vem agravada da possibilidade de, ali ao pé, vir a bela praça de S.Marcos (versão Lisboa) by Foster. É que, qualquer uma destas arquitecturas não poderá ser mais fria. São transparentes e muito pouco sólidas. São vazias. E apelam a uma visão de sítio que não tem nada NOSSO.
Juro-vos que queria ser mais concreto. A sério. Mas, tal como na arquitectura, há certas coisas que não entram no âmbito da objectividade. E são essas coisas que fazem um projecto especial.

Se me perguntarem se um arquitecto é um artista. Eu respondo claramente que não. A parte visível e construida do seu trabalho nunca poderá ser uma obra de arte. No entanto, dentro do processo de projectar, existe a parcela subjectiva, a poesia, a liberdade com responsabilidade, o espírito (se calhar com 'e' grande - E).

Mediante as escolhas, optaria no contrário do SK.

|

terça-feira, março 02, 2004

E para comemorar o entusiasmo.. 

..vieram os...comentários!
Mesmo que se preveja pouca utilização nos próximos tempos, é sempre bom ter uma prova física (ou qualquer coisa desse género) que alguém realmente lê!

|

É mesmo entusiasmo de principiante! 

É que hoje mesmo, ao vivo e na internet, o nosso humilde blog foi publicitado pel'O Projecto. Um obrigado!

|

Programa ao quadrado 

Ando há duas semanas a falar de programa, programa, programa!! Já nem posso ver essa palavra à minha frente! Especialmente porque entro em rota de colisão cada vez que o discuto. Insistem em falar-me de metros quadrados, de relações espaciais, de diagramas em 3D.
Eu insisto, que os metros quadrados estão mortos, que o dito programa 'em tabela' não me diz nada, que os diagramas, faço-os em 2D.

Programa não é certamente um conjunto de nomes que perfazem a lista que um cliente entrega. Tudo isso é um ponto de partida. Algo a que dás uma olhadela de 5minutos num início, e só voltas depois de teres tu próprio resolvido o que vais fazer. Programa perfaz a essência do edifício. Onde começa, e como se vai desenvolvendo.

Perceber que cada vez que se projecta começa-se do zero. Não é nenhuma vertente poética. É pura e simplesmente um escapar da banalidade. Um obter de algum significado. Alguma coisa que saia da superficialidade em que estamos imersos na maior parte dos edifícios onde nos metemos!
Já basta termos uma sociedade que vive do rápido, imediato e pouco profundo. Não vamos querer transformar os espaços em que vivemos em algo semelhante!

Dizia Heidegger que somos todos 'homens sem abrigo'. Que isso, é uma herança da modernidade. Fica a promessa que abordarei este tema em breve. Porque, de facto, está tudo relacionado.

Como revolta, deixo-vos algo que li no Hardblog. É que de facto, Kahn é uma injecção de bom senso!

"Uma das grandes deficiências da arquitectura, hoje,
é que as instituições não estão sendo definidas,
mas apenas dadas por um programa,
e transformadas em um edifício."

|

segunda-feira, março 01, 2004

Arquitectura? 

Debato-me com isto cada vez que me entusiasmo a projectar:
Será que a arquitectura tem uma barreira que se chama formalismo?

..entre o expressionismo do Ghery, do formalismo da Zaha Hadid, da liberdade do Koolhaas, tendo sempre a parar neste texto que me diz:

"(...) o arquitecto deve conhecer a sua própria prerrogativa. Ele deve saber que um pintor, se quiser, pode virar as pessoas de cabeça para baixo, porque um pintor não tem de obedecer às leis da gravidade. O pintor pode criar portas com vãos menores que as pessoas; pode criar a escuridão em pleno dia; pode criar pássaros que não voam, ou cães que não ladram, porque ele é um pintor. Ele pode pintar de vermelho o que é azul. Para expressar a futilidade da guerra, um escultor pode instalar rodas quadradas num canhão.
Um arquitecto deve utilizar rodas redondas, e deve criar portas com vãos maiores do que as pessoas. Mas os arquitectos devem reconhecer que têm outros direitos...seus próprios direitos.
Aprender isso, compreendê-lo, é ter nas mãos as ferramentas para criar o inacreditável, isso que a natureza não pode fazer."
Louis Kahn

E então, onde ficamos?

|

 

This page is powered by Blogger. Isn't yours?