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quarta-feira, março 03, 2004

A exclusão da parte 

Recebi a notícia pelo Projecto.

As Torres do Siza nunca me entusiasmaram. Aliás, a construção de torres sempre me deu um pouco a volta ao estômago. Especialmente quando a sua construção vem associada à ridícula ideia de que caminhamos no sentido da modernidade. Quando se começa a falar de Lisboa, este símbolo da individualidade (leia-se, torre), contrasta com uma das melhores características que a nossa grandiosa cidade tem: o bairrismo, a tradição, e tudo o que de bom vem do 'ser atrasado'. Todas essas coisas onde nos escapam as palavras.

Confrontado com a realidade crua da fraca possibilidade de escolha, obviamente que a parte a excluir se chama Sua Kay. Por felicidade minha, não o conheço. Reconheço algum mérito na sua capacidade de construir bem, rápido, no cumprir programas, na economia. Alguém que sabe que está a lidar com clientes, com dinheiros de outros, que existem requisitos espaciais específicos. Um verdadeiro profissional.

Falta-lhe...ser arquitecto. Esse bocadinho assim!
O saber que as soluções não existem em absoluto.

Digo isto, porque de todo o trabalho que conheço do Sua Kay, não há nenhum que me entusiasme especialmente. Dito por outra forma, se calhar bastaria ter estado na torre de miraflores para que o tivesse apreendido. É aquilo. Acabou.
Mais. No outro dia, encontrei outra torre (estupidamente não memorizei nem o sítio, nem o arquitecto) que tinha um desenho praticamente equivalente (apenas ligeiramente mais gorda). E mesmo esta evidência não me surpreendeu.

A opção SK vem agravada da possibilidade de, ali ao pé, vir a bela praça de S.Marcos (versão Lisboa) by Foster. É que, qualquer uma destas arquitecturas não poderá ser mais fria. São transparentes e muito pouco sólidas. São vazias. E apelam a uma visão de sítio que não tem nada NOSSO.
Juro-vos que queria ser mais concreto. A sério. Mas, tal como na arquitectura, há certas coisas que não entram no âmbito da objectividade. E são essas coisas que fazem um projecto especial.

Se me perguntarem se um arquitecto é um artista. Eu respondo claramente que não. A parte visível e construida do seu trabalho nunca poderá ser uma obra de arte. No entanto, dentro do processo de projectar, existe a parcela subjectiva, a poesia, a liberdade com responsabilidade, o espírito (se calhar com 'e' grande - E).

Mediante as escolhas, optaria no contrário do SK.

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