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terça-feira, março 23, 2004

Para o Projecto, o blog 

Fiquei pasmo. Queria responder. Parei. Resolvi responder aqui.
Queria, sem que ficasse a menor dúvida, defender o Projecto.

Li, noutro blog que também trata de arquitectura e vida, um ataque do mais cobarde possível. O esconder-se por detrás de um ecrãn de computador para se poder dizer todas as barbaridades. Chegar a um extremo de falta de senso para poder despejar toda uma raiva acumulada. Confesso que estive afastado e que só agora li esse post antigo e que me causou este espanto.

Escrevo, em primeiro lugar para defender o espaço do Projecto na esfera bloguística. Em segundo lugar porque muitas vezes é esquecida que a formação do arquitecto se faz, não só daquilo que se vai aprendendo nas aulas, nas conferências e nos corredores. Um mau indivíduo, será um mau arquitecto.

Na maior parte dos casos, concordo com o Lourenço e António. Queria, se calhar encontrar mais pontos divergentes para daí provocar alguma discussão. Afirmo, com toda a honestidade que é raro o dia em que não visito o blog deles. E visito-o sempre porque, para além de aprender, é uma óptima fonte de informação, de discussão, num blog sobre arquitectura que consegue ser único. Sabe bem onde se insere não fechando as portas a mudanças. Sabe manter o seu tom num limiar da formalidade, que aliás é uma das características que mantêm o blog num patamar onde deverá estar a discussão da arquitectura. Sabe ser controverso, sabe concordar. Sem querer continuar a bajulação, não poderia escrever o que pretendo sem antes afirmar com todas as letras e consequentes palavras, que o 'extractos' surge igualmente de uma vontade que nasceu com o Projecto.
Acrescento apenas que, conheço as pessoas que fazem o Projecto, mas por aí nos ficamos. Um conhecimento.

A segunda parte deste post vem com uma tentativa de dar uma lição. Uma lição que fala de liberdade. Algo que não tenho dúvidas que eles já sabem mas que incrivelmente parecem esquecer. A formação do arquitecto está intrinsecamente ligada à formação como indivíduo. Aquilo que tu queres ser como pessoa e aquilo que queres ser como arquitecto (no caso a que me refiro..será provavelmente..arquitectA), são coisas que correm em paralelo. Não se desligam. E será algo que começas e educar-te AGORA.

Lembro-me de uma história:
O Papa João XXIII (não interessa o ser Papa..interessa a história), na altura ainda Núncio Roncalli, esteve num jantar com um político que tinha ideias e ideais completamente diferentes das dele. Passaram o jantar a falar de tudo o que existe entre o céu e a terra. Acabaram o jantar, e Núncio Roncalli vira-se para o homem e diz-lhe: "De facto, a única coisa que nos separa são as ideias!". E não é que Roncalli não desse importância às ideias. Apenas não as punha na posição centralizante que normalmente as pomos! Atacar um pessoa pelas suas ideias, é estar a errar o alvo. É estar a dizer que a pessoa é, aquilo que pensa. E não poderá haver nada mais errado nisso! Atacar uma pessoa por detrás da máscara da internet é ainda mais baixo. Porque não sabe, nem consegue controlar uma raiva que leva dentro. E para chegar a esse nível é preciso estar mesmo muito mal. Lembra-te, daquilo que és. AQUILO QUE TU ÉS. És muito mais que momentos, decisões, atitudes, ideias e posições.
Compreender isto, é começar a saber o que é a formação do indivíduo. O arquitecto não poderá ser fruto de um ego. Não poderá ser fruto de uma vontade recalcada que se centra em si. O arquitecto é uma profissão de serviço por excelência. A arquitectura, a verdadeira Arquitectura, é para as pessoas. E nesse sentido, só terás bem presente o que isso significa naquilo que fazes, se tiveres bem presente naquilo que és.

Só aí poderás partir para perceber o que será ser livre. A liberdade não te dá o direito de insultares e dizeres tudo o que te vem à cabeça. Isso (perceberás se te vires confrontada com o silêncio), é o mais puro dos vazios. E a liberdade é cheia. Aprende qual a tua prerrogativa como indivíduo e aprenderás qual a tua prerrogativa como arquitecta.

Tudo isto que te digo, tenho a certeza que já sabias. Era só para te recordar.

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