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terça-feira, março 02, 2004

Programa ao quadrado 

Ando há duas semanas a falar de programa, programa, programa!! Já nem posso ver essa palavra à minha frente! Especialmente porque entro em rota de colisão cada vez que o discuto. Insistem em falar-me de metros quadrados, de relações espaciais, de diagramas em 3D.
Eu insisto, que os metros quadrados estão mortos, que o dito programa 'em tabela' não me diz nada, que os diagramas, faço-os em 2D.

Programa não é certamente um conjunto de nomes que perfazem a lista que um cliente entrega. Tudo isso é um ponto de partida. Algo a que dás uma olhadela de 5minutos num início, e só voltas depois de teres tu próprio resolvido o que vais fazer. Programa perfaz a essência do edifício. Onde começa, e como se vai desenvolvendo.

Perceber que cada vez que se projecta começa-se do zero. Não é nenhuma vertente poética. É pura e simplesmente um escapar da banalidade. Um obter de algum significado. Alguma coisa que saia da superficialidade em que estamos imersos na maior parte dos edifícios onde nos metemos!
Já basta termos uma sociedade que vive do rápido, imediato e pouco profundo. Não vamos querer transformar os espaços em que vivemos em algo semelhante!

Dizia Heidegger que somos todos 'homens sem abrigo'. Que isso, é uma herança da modernidade. Fica a promessa que abordarei este tema em breve. Porque, de facto, está tudo relacionado.

Como revolta, deixo-vos algo que li no Hardblog. É que de facto, Kahn é uma injecção de bom senso!

"Uma das grandes deficiências da arquitectura, hoje,
é que as instituições não estão sendo definidas,
mas apenas dadas por um programa,
e transformadas em um edifício."

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