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sexta-feira, março 26, 2004

Sexta-feira ou a Vida Selvagem 

É sexta-feira.
Vem a revolução interna: trabalho hoje ou deixo tudo para o fim de semana?
Não pode ser. Hoje tem que render. Tou lixado, nunca mais consigo acabar isto.
Mas é sexta-feira. E os intervalos duram mais que o trabalho.
Se tivesse uns olhos aqui ao meu lado, até trabalhava.
Se tivesse com a pressão de uma pistola também ia.
Mas não, ando mais a dançar com os ornatos do que com os dedos no Cad.

E depois, hoje há noite. Parece que já os oiço a sair daqui de casa.
Uma perna acomodada à mesa, a outra à espera do telefone.
Aquele tique nervoso que já não presta atenção a nada.
Saio, não saio. Fico, ou será que o sábado se estica?
Ai a vida selvagem. E o Verão que nunca chega.
Aqui ainda tenho que gramar com chuva. Mas ao sexto dia nem noto.

É impressão minha ou este quarto está mais pequeno?
Mais amarelo. Se calhar precisava de sair.
Espairecer, e ver que o tecto é mais alto.
De repente dou-me conta que isso é mentira: neste país,
tudo debaixo d'água, alguém se esqueceu de nós, e o céu está mais baixo.
Não parecem saber que há aqui alguém.
É impressão minha ou estou a ficar louco?

Louco, eu? Nem pensar nisso, não tenho tempo.
Mas o tempo estica, pedro. Lembra-te disso.
Sim lembro-me. Mas quem és tu?
Estou aqui, sou a voz amiga da consciência.
Não. Essa sou eu. Deixa-te de tretas e trabalha.
Sim, acho que sim. Se calhar não.
Larga o computador e vai jogar à bola.

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