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quinta-feira, março 11, 2004

Star System 

Se calhar as perguntas que o Dinis coloca uns posts aqui em baixo [Entrar a Matar], esperariam uma resposta fora deste blog. No entanto, gostaria de entrar nas entranhas do Dinis e ir la roer mais um pouco. Assim sendo, digo-te que não me convenço muito com uma "evolução da maneira como a 'populaça' olha para a arquitectura"(palavras tuas!). Muito simplesmente porque isso não é do seu interesse. Também me move esse desejo obscuro de um dia, eventualmente utópico, as pessoas percebam que o trabalho do arquitecto é muito mais que uns simples desenhos. Bastar-me-ia apenas, o reconhecimento de um certo estatuto da profissão, passando do arquitecto-artista, para arquitecto-arquitecto. Alguém cujo trabalho é essencial no viver da cidade. Alguém que de facto, se move com sentido de responsabilidade social e não com pseudo-criações artísticas. Apenas esse estatuto me satisfaria. Voltando à tua questão, queria explicar porque não acredito nessa sensibilização. Vives numa sociedade que o Jorge conseguiu exprimir bem no extracto do Kafka e que eu tentei completar com o "dinheiro e espaço público". Uma sociedade bastante individualizada e que vive muito à superfície. A velocidade, as opções, a tecnologia, o conforto, a fast-food, a fast-culture, o fast-seja o que for, não abre grandes espaços para grandes reflexões e a arquitectura entra na cabeça das pessoas consoante a maneira que lhes for vendida. É uma sociedade com caracter transitório mas que no entanto se agarra, com unhas e dentes, às réstias de sentido de comunidade a que tem acesso. É aqui que julgo haver espaço para o arquitecto progredir.

Todos querem um projecto Siza ou Ghery mas não saberão concerteza explicar porquê. Ou melhor, querem o Ghery, porque aparece recorrentemente nos jornais, na televisão..está na moda! Para quem só agora conheceu este arquitecto, ainda não teve tempo para se fartar dele! O Siza é outro mediático muito bem vendido. E ainda bem que o é. É nosso e é bom. Portugal, no seu essencial, ainda tem muito poucas expressões modernas na sua arquitectura. Só agora começa a despertar. Obviamente, que se olhares para a sociedade de mutação já abordada, o que as pessoas querem é algo diferente. E nesse sentido, qualquer um dos teus exemplos é certamente contrastante com o que existe. A evolução para estas novas referências será algo perfeitamente natural. Não haverá, neste momento, grande espaço para que o Siza (por exemplo) se esgote. Já não existem movimentos 'e todos por um', com regras estabelecidas e princípios a aplicar(como o moderno). Existe diversidade, e nesta diversidade existe possibilidade de escolha.

Se olhares para o star Koolhaas, do pouco que consigo perceber daquilo que ele faz, ele não se mete com grandes teorias de contestação nem produz uma arquitectura que procure contrariar a sociedade tecnológica. Muito pelo contrário, ele analiza e aplica. A sua arquitectura é um reflexo da sociedade. Ele oferece aquilo que a sociedade quer.
Quanto a mim, e apesar de o ver como uma resposta adequada à rebelia do nosso mundo, procuraria ir um pouco mais fundo. Tocar apenas, naquilo que vale a pena ser continuado. Não me perguntes como, apenas dir-te-ia que o trabalho do arquitecto tinha de estar ligado àquela réstia de profundidade presente em qualquer pessoa. Ir na corrente, sem dúvida, mas saber extrair o melhor.
Não passaria por esgotar o que existe. O tempo o fará certamente.

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