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sexta-feira, abril 30, 2004

Inveja.. 

..que eu tenho, por não ter uma destas!

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Crítica ou não Crítica 

Hoje, mais do que nunca, vivemos um momento crítico na arquitectura. O que nos abana desta vez, não será uma revolução industrial, mas sem dúvida uma revolução tecnológica. Vai de mansinho, mas penetrando todos os campos das nossas vidas. A arquitectura perde-se numa total falta de definição acerca do campo onde pode mexer. As revoluções sociais (utopias), para desgosto de muitos e bons arquitectos, não são possiveis. Foram experimentadas e falharam. Vive-se hoje um outro extremo: passámos do bem comum para o valor individual. Deixou de existir conjunto para existirem imagens.

A questão que se põe nem será a da utopia como um sonho social que podia ser trazido (também) pela arquitectura. A questão é a da existência, ou não, de uma distinção entre o que será a Moral e a Teoria. Se é possível separar aquilo em que acreditamos (os nossos valores), das bases em que formamos o nosso ser profissional.

É neste sentido que começam a aparecer as respostas da arquitectura. Tornam-se assustadoras porque simplesmente rejeitam quaisquer responsabilidades da arquitectura no sentido do desenvolvimento da sociedade. Afirmam que a arquitectura não tem qualquer influencia na vida das pessoas e que todos os projectos sociais foram condenados ao fracasso. A Teoria, afasta-se definitivamente da Moral, estando as duas em contínuo afastamento. A arquitectura tal como sempre existiu e foi ensinada, perdeu o significado.

"Contemporary architecture, they say, is in a state of degeneracy, has lost its meaning and, although it cannot recover its original significance in full, its lost past becomes for them, a subject of endless reminiscence, a droning noise of quotations, images, models and derivations. The great mumble."(1)

O resultado que se assiste é uma arquitectura que se está a tornar cada vez mais numa base de mediatização. Uma mediatização aplicada em correntes cada vez mais formalistas. Surgem os nomes de Eisenman, Libeskind, Koolhaas, Herzog & de Meuron, Ghery, Steven Holl, e muitos mais, todos eles associados a movimentos formalistas que exploram em absoluto o potencial dos Media. A Forma passou a estar no primeiro plano. A imagem e o objecto.

"Architecture as an autonomous object, is the most important thing.(...) It is still shelter, it is still enclosure, it is still architecture."(2)

Cada um com o seu método de trabalho, cada um com a sua maneira de produzir o melhor objecto. A arquitectura não deverá contradizer a maneira como o mundo está a evoluir porque isso seria correr o risco de desaparecer por completo da esfera da sociedade. Abandonar e rejeitar a massificação da imagem e da aldeia global, seria estar a pôr um lenço nos olhos e rejeitar que o mundo corre sempre para o lado que as pessoas querem. Nesse sentido, a arquitectura, para sobreviver, terá que se servir destas armas e usá-las.
Nem vou entrar nos milhentos métodos mais recentes de produção da forma...cada um com o seu. O que preocupa é o facto da impossibilidade da existência de crítica. Onde é que ela está? Quais os seus limites? Numa arquitectura sem barreiras, onde tudo poderá ser possível, como se criam as bases? Como se faz a crítica da forma?

Já a Utopia, está intimamente ligada à ideia da crítica: imaginar um mundo melhor, e começar a construí-lo. Utopia não significa amarrar o povão em grupo e começar a definir as regras. Utopia é ter plena e convicta noção que a arquitectura modifica, ter plena e convicta intenção de criar um mundo melhor, lutar para isso embora sabendo que em definição, Utopia continua a significar um sonho impossível. A arquitectura enquanto trabalho criativo, nunca poderá ser separada do seu estatuto de reflexão. A Teoria, deveria estar ligada à Moral. Porque razão, para além de representar edifícios, não pensar igualmente em relações sociais? Se o espaço público morreu, será necessário re-inventá-lo. Se a arquitectura é cada vez mais Media, então porque não tornar a Media, cada vez mais arquitectural, social ou até mesmo utópica.

Em Portugal tudo se sente mais devagar. E ainda bem. O 'arquitecto da forma' é considerado o 'artista' e por isso é rejeitado. O individualismo ainda não se sente, julgo eu, de uma forma tão acentuada, e a maior parte dos arquitectos portugueses não atribui (por enquanto) importância dos fenómenos de globalização. Mantemo-nos no nosso cantinho da Europa. Mas será por quanto tempo?
(continua...)

1- Robin Evans em 'In Front of Lines That Leave Nothing Behind'
2- Peter Eisenman

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Extracto solto 

"What you should try to accomplish is built meaning. So get close to the meaning and build."
Aldo Van Eyck, em Team 10 Primer

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quinta-feira, abril 29, 2004

Desde que acredites 

" 'What do you suppose that white line in the sky that you saw from the crack in the cattle-car on your way to Stutthof really was?' the interviewer asked Elaine some thirty years later in her Brooklyn home.

'You see, in order to survive you must believe in something, you need a source of inspiration, of courage, something bigger than yourself, something to overcome reality. The line was my source of inspiration, my sign from heaven.

'Many years later, after liberation, when my children were growing up, I realized that the white line might have been fumes from a passing airplane's exhaust pipe, but does it really matter?"

Yaffa Eliach em Hasidic Tales of the Holocaust

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Lavar a cara 

Tal como prometido: mês novo - cara nova.
Desta feita, inteiramente com a assinatura do homem das imagens, Jorge Vicente.
Castro Marim, essa bela localidade!

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quarta-feira, abril 28, 2004

Transgressão na arquitectura 

"What map cuts up, the story cuts across."(1)

"Transgression does not seek to oppose one thing to another, nor does it achieve the purpose through mockery or by upsetting the solidity of foundations; it does not transform the other side of the mirror, beyond an invisible and uncrossable line, into a glittering expanse.
Transgression is neither violence in a divided world (ethical world) nor a victory over the limits (in a dialectical or revolutionary world); and exactly for this reason, its role is to measure the excessive distance that it opens at the heart of the limit and to trace the flashing line that causes the limit to arise."(2)

Esta transgressão é fantástica. Entra num campo da arquitectura que o arquitecto tão pouco conhece. Enquanto os arquitectos e urbanistas produzem imagens e cenários de edifícios e ambientes urbanos, existem comunidades dos chamados espaços residuais que produzem espaço, transgridem o espaço reinventando o público.
Chamam-se espaços residuais aos sítios marcados no mapa da Câmara para serem destruidos e requalificados. São geralmente reconhecidos como portos e linhas de comboio em desusos, barracas abandonadas, zonas industriais, lotes vazios, zonas-limite das autoestradas, locais debaixo das pontes (etc). Apesar de o termo 'espaço residual' estar claramente identificado como sujeito à requalificação, são muito poucos os estudos feitos acerca destes espaços.
O facto real é que provavelmente, nestes sítios residuais, encontraremos as réstias de espaço público existente. Sem querer ser extremamente radical, são os sem-abrigo, os vendedores de rua, os socialmente desadaptados e rejeitados que transformam e reinventam o público. Enquanto o espaço público da sociedade global vai morrendo, transformando-se em centros comerciais e de consumo, transformando a rua em local de trânsito, estes marginais e transgressores são capazes de fazer das ruas da cidade em sítios de vida e de trabalho, sítios não apenas movimento e de passagem mas um sítio onde se está, 24h por dia.
Não faço uma apologia das barracas (por exemplo) simplesmente porque acredito que as condições destas pessoas são péssimas e seus desejos são de mudança. No entanto, faço a apologia do aprender sobre estes movimentos de transgressão. Os exemplos que dei foram limitados. São estas actividades transgressivas que forçam as ruas e a cidade a encontrar espaço para o que, em projecto, rejeitam; isto é, actividade que não é de transporte.
Na vida destas pessoas poderá estar o emergir de uma nova arquitectura. Uma que se desliga da corrente tecnológica e re-descobre o espaço público. Uma arquitectura marginal e transgressiva nos termos que Foucault expõe no extracto citado em cima. Neste sentido, um âmbito geralmente rejeitado teria que ser estudado. Há muito a aprender.

1- Michel de Certeau, em The Practice of Every day Life
2- Michel Foucault, em A Preface to Transgression

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Rem, vai para a escola 


Tens razão LAC, como o Niemeyer, mais nenhum!

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sábado, abril 24, 2004

Treme Treme 

   



Desde ontem sinto o meu olho a tremer. Não faço ideia do motivo ou causa.
Há quem diga que é stress, mas os meus pacatos dias não o justificam, muito menos as poucas horas que tenho estado em frente ao computador (comparando com anteriores recordes!).
Talvez seja uma ansiedade oculta, escondida nos meandros da minha massa cor de cinza!
Não deixa de ser incomodativo, principalmente porque não é visível a "olho nu", e porque julgo estar a fazer uma espécie de tique em público!

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sexta-feira, abril 23, 2004

passo a passo 

How to become a famous architect..
Clica aqui
(indicações em inglês)


(exemplo: MVRDV - Exposição Mundial Hannover 2000)

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Provocação 

If it doesn't cover or enclose something, it's SCULPTURE.
If it doesn't fall over and stays put, it's STABLE sculpture.
If it moves more-or-less on its own, then it's KINETIC sculpture:
If it sits on the floor it's STABLE sculpture, but if it hangs
it's MOBILE sculpture, unless it floats away in the wind,
in which case it's AERIAL sculpture.

Otherwise, it's ARCHITECTURE.

If it's hideously plain, it's CORPORATE architecture.
If it's hideously cute, it's RETAIL architecture.
If it's hideously expensive, it's TRENDY architecture.

Otherwise, it's ORDINARY architecture.

[associação de estudantes STYLOS - Faculdade Arquitectura, TUDelft]

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quinta-feira, abril 22, 2004

Heterotopias vs. Utopia 

"The architecture that intervenes between us and the exercise of power is our real adversary...
But who erects this obstacle, who creates this distance? No one does...
The obstacle is an ambiguous one, for it is a matter of fashioning a world we cannot escape from as much as one we may not enter.
These two self-opposing impossibilities are identical in fact...
What matters is the separation...
This space will, therefore, always remain sealed off yet at the same time periously exposed...
Its edifices, like strange organisms, are threateningly proliferous."

Jean Starobinski, em "The Illusion of Architecture"

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Bye bye Utopia 

"Architecture is a poisonous mixture of power and impotence." (1)

"When I read this statement as a student, my idealism was violated in the way a child's world is slowly dismantled with the successive abduction of Santa Claus, Superman, and the Man on the Moon. 'But surely', I protested 'if your concepts are bold enough, if your passion is hi-octane fueled, can't we achieve anything? Shouldn't we be able to achieve everything?' It's only when one begins to try to build something that one understands the second half of architecture's dialectical recipe. Like Hercules, or Bruce Willis in Die Hard, the architect must fight a veritable battle against ever-embittered combatants who seem to want to see him fail. There are building regulations, bored bureaucrats, economic vicissitudes, nefarious political climates, unspoken histories, indifferent construction industries, and 'the public'. And often, above all of these harbingers of impotence, the architect faces The Client, in a relationship that can be as infernal or as beautiful as any marriage." (2)

1- Rem Koolhas, em Conversations with Students
2- Shumon Basar, em Content

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quarta-feira, abril 21, 2004

Apologia do Ben-u-ron 

Não sei quem te inventou.
Provavelmente terá sido um grupo. Não imagino que apenas uma
cabeça tenha sido responsável por tamanha maravilha.
Seja quem for, o meu sentido obrigado.

Obrigado por todos os momentos,
em que sempre presente,
me fazes accionar de novo este corpo que trago comigo.

Ben-u-ron, meu amigo,
até do teu azul amaricado se eu gosto.
'Paracetamol' dizes-me tu.
'Não sei', digo eu. 'Não faço a mínima', continuo.
Só sei que depois, sinto-me muito melhor.

Qualquer coisinha..ben-u-ron.
Quem sai de casa sem ele?
Quem nunca o experimentou?
Haverá côsa má' linda..
que o meu Ben-u-ron?

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terça-feira, abril 20, 2004

Copy - Scale - Paste 

Como fazer de uma casa holandesa, uma sala de concertos portuguesa, em apenas 2 semanas.
Passo 1: a casa holandesa
Condimentos:
- um cliente com desejos de complexidade.
- 3 princípios = neuras do cliente: ódio pela desarrumação; medo do ano 2000 e do Bug; ambiguidade no viver da sua família.

Condições resultantes:
- esconder desarrumação - um contentor capaz de absorver o caos organizacional;
- garantia da autonomia de cada membro da família, mas permitindo sua reunião, quando voluntária. - espaços individuais para cada membro;
- exorcizar a fobia ano 2000, fazendo a casa assentar num disco que rodaria, aproveitando diferentes momentos, vistas, etc.

Passo 2: a casa de concertos portuguesa
Condimentos:
- 2semanas para entrega do projecto para a competição;
- quebrar com o mito da caixa de sapato = acusticamente perfeito, arquitecturalmente mortal;

Condições Resultantes:
- hiper eficiência; energia; inteligência; criatividade
- O túnel da 'casa' poderia tornar-se a detestada 'caixa de sapatos'. Retirá-lo e aumentá-lo, ao invés de construi-lo. Não há perigos de tédio.

Passo 3:
Um Scale da casa holandesa transformou-se na casa de concertos portuguesa. Como poderia uma casa, que respondia a condições tão específicas, ser capaz de ser usada para propósitos completamente diferentes?
Ao invés de uma luta pela forma, houve uma redefinição da relação entre público e sala de concertos. Aqui, o interior é revelado ao exterior sem ser didáctico, acessível a uma maior parte da população; o exterior é revelado ao interior como uma nova luz para a cidade.



Pergunta: (feita numa conferência, na passada 5a-feira)
- Que ideia pensa transmitir aos alunos com a Casa da Musica? Como pode dizer que este re-scale pode acontecer ao projectar duas coisas completamente diferentes?
Resposta:
- Não tentei passar uma mensagem. Não estou a dizer que esta é a maneira de se projectar. Estou apenas a ser honesto, a dizer que foi isto que aconteceu. E aconteceu, porque de facto, a Casa da Música resulta. O que fiz, permitiu resolver todos os problemas que tinha. Resolveu-se.

Mensagem, digo eu.
- Cada vez mais, não se pode criticar o método. Pode-se criticar um resultado final, e suas consequências;
o método, cada um tem o seu. Não digo isto porque o retiro das palavras de Koolhaas, apenas vem sendo uma constatação que se vai enraizando cada vez mais no meu pensamento. Faz uma casa a partir de uma música; vai buscar linhas de orientação aos pontos que quiseres e forma uma estrela de david; pensa num guarda-sol e baseia teu projecto no seu mecanismo. Todo o método é passível de ser utilizado.
No fim, conversamos.

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Manual do Messias 

Lição de hoje. Vamos a ver se a aprendo!

"A fim de
viveres livre e feliz,
tens de sacrificar
o tédio.

E isso nem sempre é
um sacrifício simples."

Richard Bach em 'Ilusões'

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segunda-feira, abril 19, 2004

Resultados.. 

..da votação para o melhor blog de arquitectura.
Da luta renhida resultou um primeiro lugar para O Projecto.
Na segunda posição ficaram, com o mesmo numero de votos, a Epiderme, o hARDbLOG, o GANG, e ainda os que votaram na opção 'outros'.

Deixei permanecer estes resultados por mais tempo porque a aderência aos votos estava a ser animada.
Podem dar sugestões na caixa de comentários ou via mail.
Próxima questão - sítio de silêncio.

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DaNçA....dAnÇaNdO! 

 

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sábado, abril 10, 2004

"não sei ainda o que é, se tem ou não razão de ser
não sei bem qual o objectivo
questiono a mais valia da sua existencia (...)
por enquanto é só pó velho e dificuldade de formatar e colocar imagens
"
ar
Denoto semelhanças de partida..!
A visitar:
Poeira

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quinta-feira, abril 08, 2004

Há tempo.. 

..para tudo.
Mas neste tempo, nesta semana, vou-me dedicar inteiramente ao tempo para mudar.
Volto depois da Páscoa.
Aproveitem bem este tempo de mudança..
Abraço,
pedro

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quarta-feira, abril 07, 2004

Anne Lacaton 


Espantosa.
Conferência que durou um pouco mais do que o previsto mas que valeu cada um dos minutos.
Uma arquitecta da modéstia, reconhecida (em conjunto com Jean Philippe Vassal) por grandes prémios europeus - entre eles a nomeação para o prémio da Fundação Mies Van der Rohe de Barcelona. Trata-se de construir com uma eficiência de quem procura minimização de custos. Não é contenção por contenção. É uma arquitectura que se destina a pessoas com menos meios financeiros. Materiais geralmente considerados pobres, que são transformados e utilizados em invenções extremamente simples e claramente arquitectónicas.
Só me apetecia aplaudir. Redescobri o que é ser arquitecto. A proximidade que atinge das pessoas. Uma modéstia e presença sinceras e sem capas. Uma verdade cada vez mais adequada aos nossos tempos. Almoços, vivências, estórias. Introduzir a melhor qualidade arquitectónica onde ela geralmente é negligenciada. Viver para isso. Com o sorriso de quem está, de facto, a cumprir os propósitos do arquitecto.
Guardei uma frase:
"Tenho sempre imensas histórias de cada projecto. Sem dúvida, todo o bom projecto tem de ter uma história para contar!"

 

[p.s.- para os meus colegas do IST..encontrei lá o 'pilgrim'!! Impecável.]

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terça-feira, abril 06, 2004

A semana 

Venho com um atraso de dois dias.
Mas..não poderia deixar de dizer:
Iniciou-se. Esta, é a semana mais importante do nosso ano.
Aproveitem-na bem.

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segunda-feira, abril 05, 2004

Ainda sobre o Matrix 

"Architecture is
monstruous in the way each choice leads to the
reduction of possibility. It implies
a regime of either-or decisions often
claustrophobic, even for the
architect."
autor não enunciado, em 'Content'

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Matrix - either/or 

"You can be a Museum,
or you can be Modern,
but you can't be both"
Gertrude Stein

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domingo, abril 04, 2004

Philippe Starck 

..a visitar, ou a repetir a visita!

"We have to replace beauty, which is a cultural concept, with goodness, which is a humanist concept"


[copyright www.philippe-starck.com]

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sábado, abril 03, 2004

Mordo o lábio.. 

..no que ao 'Content' diz respeito!
No outro dia pus-me aqui em acérrimo confronto com a mais recente publicação da OMA/AMO. Foi um primeiro impacto com a revista/livro que despoltou alguns recalcamentos em relação ao seu trabalho. Devo confessar que agora, friamente, há coisas boas a retirar! Uns textos muito interessantes que espero vir a postar uns 'extractos' brevemente.
De facto, mordo o lábio e admito que nem tudo é imperceptível. O 'Content' torna-se de facto um cristalizar da vida da OMA num segundo. Torna-se num livro que cheira e se sente como uma revista. Aparece como uma arquitectura de um segundo..um flash, uma imagem. Algo que fala do presente, que se assume como diferente do passado e curiosamente também se assume como pouco preponderante no futuro. Diz-nos que provavelmente no momento da publicação já estará desactualizado.
É preciso entrar no esquema. Tirar as camadas conceptuais e literalmente ignorar as coisas que não se percebem. Apreendê-las como bom tratamento de imagem..nada mais. Depois, entrar nalguns bons textos que nos falam de realidades interessantes a da escala global que a OMA atingiu.
Mantenho..é o primeiro de muitos que aí vêm. Acessível a todos, e com vontade (não assumida) de provocar agregação.
Rem, desculpa lá! No entanto, continuo de olho em ti..suspeito, muito suspeito!

..aqui fica um bom extracto:
"Architecture is a fuzzy amalgamation of ancient knowledge and contemporary practice, an awkward way to look at the world and an inadequate medium to operate on it. Any architectural project takes five years; no single enterprise remains unchanged in the contemporary maelstrom. Architecture is too slow. Yet, the 'word' architecture is still pronounced with certain reverence (outside the profession). It embodies the lingering hope - or the vague memory of hope - that shape, form, coherence could be imposed on the violent surf of information that washes over us daily. Maybe, architecture doesn't have to be stupid after all. Liberated from the obligation to construct, it can become way of thinking about anything - a discipline that represents relationships, proportions, connections, effects, the diagram of everything."
Rem Koolhaas

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sexta-feira, abril 02, 2004

Conversa de almoço 

'Se a forma segue a função..
..qual é a função da forma?'

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Saber do nosso mundo 

Será que vale a pena ter consciência do mundo em que vivemos?
Se me tivessem perguntado há algum tempo atrás se calhar a minha resposta não tardaria e seria óbvia: claro que sim. Ter consciência do mundo que te rodeia; poder pegar neste teu tempo e dar-lhe um nome. Saber o que veio antes, imaginar - quase chegando a sonhar - o que vem depois.
Hoje, não sei bem se será assim. Às vezes, como me tenho sentido ultimamente, entra uma desilusão. Uma desilusão que se faz acompanhar por uma incapacidade de mudar seja o que for.
Sonhar, sonhar alto. Mas ver-me num mundo que não sonha comigo. E não, não quero ser ingénuo.
Ver o que se passa, e ter um peso enorme que me tenta localizar. Ter bem a certeza onde me quero meter. Porque sim, existe sempre uma gaveta na qual nos metemos. Existe sempre um rótulo para pôr.
Qual será a liberdade sem rótulos? E como funcionará essa liberdade se não poder tocar em ninguém?
Não existe.
Como responder? Não seria tudo mais fácil se não tivesse consciência do mundo que nos rodeia? Seria como uma criança que sonha e faz. Tem as suas consequências, mas a minha ingenuidade cegar-me-ia no prazer de poder sonhar.
Organizar o caos. Parece-me pouco. Parece-me alguém que apenas vem remendar e limpar os cacos. Impôr silêncio num mundo que foge dele. Trazer luz e nem darem por ela. Semear praças, aparecerem desertos. O susto de viver por debaixo de uma sombra tecnológica. Uma sombra que nos cobre dos pés à cabeça e que dela já não escapamos. Uma sombra que nos atira para fora...sem mapa de regresso.
Ver o céu e viver nessa ilusão. Uma ilusão que não percebe que não somos nós que estamos mais perto, foram as nuvens que se chegaram.
Escapar. Será essa a solução? Viver com quem ainda sabe como se vive. Se VIVE. Aprender. E assim poder viver como a criança, no sonho. Ali poder permanecer.
Ganhar aquilo que preciso, esperança..e fé!

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Estrela do Mar 



"Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte
E em que o sono parecia disposto a não vir
Fui estender-me na praia, sozinho, ao relento
E ali ao longe do tempo, acabei por dormir

Acordei com o toque suave de um beijo
E uma cara sardenta encheu-me o olhar
Ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era
Ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar

'Sou a estrela do mar só a ele obedeço
Só ele me conhece, só ele sabe quem sou
No princípio e no fim
Só a ele sou fiel e é ele quem me protege
Quando alguém quer à força
Ser dono de mim...'

Não sei se era maior o desejo ou o espanto
Só sei que por instantes deixei de pensar
Uma chama invisível incendiou-me o peito
Qualquer coisa impossível fez-me acreditar

Em silêncio trocámos segredos e abraços
Inscrevemos no espaço um novo alfabeto
Já passaram mil anos sobre o nosso encontro
Mas mil anos são pouco ou nada para estrela do mar"
Jorge Palma

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quinta-feira, abril 01, 2004

Será? 

O m'A vai-se mesmo embora, ou será dia 1 de Abril?
Hoje, duvido de tudo!
Esperemos que seja piadinha.
Promovo uma manifestação, caso seja verdade, em prol da sua continuação: encher o seu post de abandono com comentários em contrário!
Aquele caracter revolucionário, contestatário, consegue por vezes ser brilhante.
Desde que comecei a conhecer a arquitectura que sei: o tempo...estica-se!

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O CHEFE 




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