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segunda-feira, maio 31, 2004

A obra 

Não é que o homem está mesmo orgulhoso?
E tem razões para isso. Deste lado é só inveja! Vejo o betão e fico com água na boca.

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Deixa-me usá-lo 

e em resposta, dizer-te que é um texto fantástico. Quase que um manifesto. Uma digestão da enorme ruptura que o maldito homem (leia-se Koolhaas) nos impõe a fazer.

No entanto, da digestão que tenho eu feito, há coisas que vão um pouco mais longe. Ele não nega a emoção. Ele nega a fabricação de Espírito. Perfaz toda uma desacralização do Espaço, negando o que nos foi introduzido pelo Kahn. Exactamente pelas várias razões que enumeraste, os espaços dele são vazios, sem espessura, com conteúdos onde reina a superficialidade. Acredito que ele brinca. Ele brinca inclusivé com emoções. Mas daquelas que estão mais à flor da pele. Ele brinca com o programa, com subversões, com ligações dúbias. Esquece o espaço porque, para ele, não influencia. O campo de trabalho estará nestes constantes curtos-circuitos que se fazem.

Se calhar falamos do mesmo. A emoção quando atirada para o seu estado mais puro, mais profundo, é a revelação do Espírito. Ele nega que as pessoas tenham sensibilidade para se aperceberem deste nível de profundidade.

Depois é mesmo verdade, atira a estetização para um campo intelectual. Com uma capacidade de produção fora deste mundo (como é a OMA), perfaz um sem número de estudos de forma. Diagramas e mais diagramas; "mapas com pontinhos" (brilhantemente inventado pelo Lourenço), uns atrás dos outros; criar uma imagem com um background de suporte à escolha. Um paradoxo rapidamente resolvido pela nulidade da 'antiga' regra.

A maneira como as obras se perdem de um conjunto é totalmente apoiada por uma estrutura que nega a necessidade do todo. A sua arquitectura 'metropolitana' é apenas megalomaníaca numa escala modesta. Por isto mesmo, não percebo um dos pontos do texto. Aquele que fala da vontade deste arquitecto em mudar o mundo. Não acredito nisso. Acredito que este arquitecto queira mudar uma geração, e um rumo para a arquitectura (ou lá como se for chamar esta arquitectura sem espírito). No seu currículo, para além de milhentas contestações, estão essencialmente críticas ao movimento moderno - assumindo-o como O erro do século XX - e às Utopias, dizendo que as tentativas de estabelecer espaços 'tradicionais' onde se tenham 'formas decentes de relacionamento' são totalmente descabidas e desadequadas.
O que Koolhaas mais aprecia na sua metrópole é exactamente a maneira como não a consegue 'agarrar'. É neste sentido que utiliza uma arquitectura de provocação, de Bigness, de metáfora, de entertenimento. Repugna o Movimento Moderno porque isolou componentes, quantificou funções, tentou fazer da cidade algo previsível. O que ele pretende utilizar é este potencial do imprevisível. E aqui introduzir uma arquitectura metropolitana. Se há alguém que neste momento o está a fazer, com originalidade e acrescentando algo mais, é ele.

Finalizando. E aqui, estou eu de acordo, e o Lourenço em total desacordo. Ele, sem duvida que parametriza a arquitectura. E porque não? E quem disse que a arquitectura é arte?

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PM 

Perdemos o Dicionário do Diabo. Para a memória ficam apenas 2posts de despedida e um 'Best of' editado num livro. É pena. Mesmo, muita pena. Isto hoje, está bem mais pobre. Lá se foi a ironia feita escrita.

Resta-me ir pedindo ao Lourenço que vá avançando uns extractos para momentos 'in memoriam'.

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domingo, maio 30, 2004

Confirma-se 

Para a Ana, e para a Silvia. Em resposta a uma mensagem, dou-vos um post.
Têm toda a razão! Não são só as mãos e a voz..há outros requisitos!



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sexta-feira, maio 28, 2004

Sonho - Ctrl C; Ctrl V 

"The presence of a dream is important, too. But how do you make people dream? Maybe by telling a story or using pictures. Isn’t illustration maybe the most efficient way of talking to people? There are conflicts in societies, in cities, and so it is worthwhile to take action and work with what materials you have, the way Venturi did in the 60’s, when instead of refusing the Strep in Las Vegas, he tried to explain the sense it made. It’s when you start with what you’ve got that it works. Whether in the periphery or downtown, the place, the context is extremely important, in the same way it is important to understand the habits of the people and everything that they love about the city. The city, in all its complexity, its tensions, its contradictions, its outskirts. Without, however, forgetting to look at nature, the sky, the wind, the stars."

Doriana O. Mandrelli (sobre a arquitectura de Massimiliano Fuksas) em Anarchitecture


Musee des Graffitis, Niaux

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Anexados! 

Sim, eu sei, a lista de blogs aqui ao lado não corresponde à realidade dos Pratos! Mesmo assim, aqui vai uma actualização desde a minha caixa dos favoritos directamente para a barra lateral.
De rajada, chegaram este, este, este, este, este, este, este, este, este, este, e finalmente este. A todos eles, uma vénia!

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Just Pecola 

A vaguear pelos blogues, evitando o mais que incontornavel regresso ao querido Cad (o Auto), dei por mim neste sítio. Parei pela imagem do Dali. Fui percorrendo os posts com interesse. De repente, surge a razão deste post: o som dos Xutos invade o Jorge Palma do meu Media Player. Que se passava? Não sei como é que ela o fez. Sei apenas que conseguiu que lá permanecesse.

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quinta-feira, maio 27, 2004

Ainda bem que existem perfeitos Anormais 

Que seria do mundo sem eles? Morreriamos de tédio se não tivessemos um ou outro de vez em quando a aparecer nas nossas vidas! Perderiamos a base de comparação. Já não haveria ninguém para insultar.
No entanto, escrevo este post com um propósito. Um apelo aos perfeitos anormais deste mundo - aqueles que dão a cara ou os que preferem manter-se em refúgio - para que se renovem, mantenham-se vivos, sejam inovadores, usem da imaginação!
Correm o risco de serem estereotipados com um simples: "perfeito anormal!". O apelo serve como um estímulo à pouca actividade mental que ainda vos resta. Ser um perfeito anormal com nome. Com um 'modus operandi'. Com uma imagem passível de ser única e irrepetível. Ser um perfeito anormal com classe, com humor.
Digo isto, porque me parece que até os perfeitos anormais têm de encontrar estímulos nas suas vidas. Algo que lhes faça sair da pura banalidade.
Aos anormais deste mundo digo: o mundo está em mudança. Se quiserem permanecer com algum interesse, têm que se renovar! MAS Atenção!..nunca, mas nunca, tenham demasiada actividade entre as mãos. Nunca, mas nunca se entretenham demasiado. Nunca, mas nunca se desviem da grande quota de tédio que mantêm durante o dia.
E mantenham o povo (como eu), entretido!


actualização:
- eliminei alguns comentários que apareceram. Só os manteria se tivessem um mínimo de imaginação. O mau pelo mau, neste blog, elimino! Interessante será dizer que fiquei com o seu IP.

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quarta-feira, maio 26, 2004

É bem PORTOGAL! 

Confesso, sou dos Benfiquistas que até bem perto do fim do jogo, ainda tirava pelo Monaco. Confesso, que com o terceiro golo pus-me ainda a pensar que já não seriamos a única equipa portuguesa com 2Taças dos Campeões. Confesso, que o Jorge Perestrelo me converteu.

Ao ver O homem da TSF a gritar incessantemente pelo Porto; ao vê-lo emocionado (verdadeiramente) a cantar o nome de Portugal; ao faltar-lhe a voz para ir entoando os 'filhos do dragão' e esquecendo-se do relato; e principalmente, porque a sua alegria era verdadeira, e porque soube MESMO transmitir que nós, Portugal, estamos hoje no topo do futebol europeu; porque soube passar para este lado que a alegria devia ser de todos. Porque, apesar de ele não ser portista, era sincero aquilo que transmitia.
Um homem que dedica a sua vida à cobertura de eventos desportivos, que faz disso seu campo de pensamentos, de entrega. Que acredita, com todas as suas forças, no desporto como capaz de fomentar a alegria do povo. Hoje, esse homem estava delirante! Quase que a concretização de um sonho. Não era o seu clube, isso pouco interessa. Era a concretização do sonho de ver um país inteiro a saltar de alegria, a deixar de lado (mesmo que por momentos) as tribulações, e a viver a vitória do clube que neste momento consegue de melhor forma mostrar a força de Portugal.

Parabéns FCPorto. Obrigado!

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O verdadeiro Susto 

(Sobre Coney Island. O prototipo da cidade contemporânea, segundo Koolhaas)
Fica este extracto:
"It is often alleged that the Metropolis creates loneliness and alienation. Coney island responded to this problem with the 'Barrels of Love'.
Two horizontal cylinders - mounted in line - revolve in opposite directions. At either end a narrow staircase leads up to the entrance; one feeds men into apparatus, the other women. It is impossible to remain standing in the machine; men and women are thrown on top of each other. The unrelenting rotation then creates synthetic intimacy between couples who would never have met without its assistance.

If necessary, this intimacy could be further processed in the 'Tunnels of Love'. An artificial mountain next to the couple-forming machine. The freshly formed pairs would board a small boat that disappears inside a system of dark tunnels where complete obscurity ensues - or at least - visual privacy.
The rocking movement of the boats on the shallow water was supposed to increase sensuality.

(...)all the natural elements that once defined the attraction of the Island, were systematically replaced by a new kind of machinery that converted the original nature into an intricate simulacrum of nature, a compensatory technical service."(1)

Será este o passo seguinte? Não será o meu certamente. Mas o que ele diz neste texto é bem real e um belo reflexo da modernidade. Assuta? E de que maneira! A total ilusão de preenchimento de um vazio. Um buraco por si só já fundo, que tende a alongar. Um "serviço técnico de compensação". Compensação? Quando muito um entretenimento momentâneo. Um 'desligar' do cérebro e, pior que isso, de tudo o que nos faz ser humanos. Um aproveitar tecnologico que tenta ser um comprimido para o coração. Desespero pelo que leio? Talvez antes. Agora não.

Porque não desespero? Porque o Homem, continua a ser feito e concebido com a mesma estrutura e com a mesma vontade de ser feliz. Porque no coração só entram coisas próprias do coração. E não há remédio estimulado pelas novas invenções que resolvam isso. O ser feliz continua e continuará a ser apenas aquele que consegue ter o coração cheio. Para o conseguir, cada um terá que procurar dentro de si as suas próprias respostas.
Porque não desespero? Porque não acredito no Homem sem cara. Naquele que faz parte das estatísticas e perfaz a população mundial. Não acredito no Homem-tipo. Não acredito no ser rotulado. Acredito, isso SIM, em todas as pessoas que fazem parte da minha vida. Acredito, nestas pessoas, e na transformação que podemos ir operando uns com os outros. Acredito. Acredito em Deus.

Como arquitecto, acredito no contar de histórias e no responder de certas necessidades das pessoas que me for relacionando. Acredito que posso trazer melhores condições, para que essas pessoas possam provocar - por elas próprias - a felicidade que procuram. Mas é aí que cessa a minha actividade como arquitecto. Quando passa a barreira de simplesmente criar uma base onde se sentar. Porque a transformação, surge da vontade de cada um.

1- Rem Koolhaas em 'Life in the Metropolis' or 'The Culture of Congestion'

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terça-feira, maio 25, 2004

Modernidade.. 

..e não, ser moderno!
Continua a pergunta..O que é a modernidade?
Em resposta ao Projecto, há uma grande diferença. Não falo em ser moderno no sentido mais comercial da coisa. Um ser moderno que procura a vanguarda ou o estilismo da moda corrente. Não se trata de uma procura pelo que poderá ser um homem moderno no sentido de alguém que se senta e se projecta no mundo ou para o futuro. Não falo em alguém que se procura encontrar e nesse sentido, ser moderno. Estou a falar de modernidade. Uma posição distante e que apenas observa.
A arquitectura projecta. Transforma o ser moderno. Analiza o que isso significa e propõe. Propõe uma modificação ou uma estagnação. Uma oposição ou um assumir da corrente. Esse é o seu trabalho.
Modernidade está, apesar das suas constantes modificações, quase que emoldurada num quadro para poder ser analizada. E é disto que tratava a minha pergunta. Não de uma projecção para o 'correcto' ser moderno, mas uma simples análise:

Como é o Homem de hoje? Como vive ele em sociedade? O que é que ele aproveita da cidade? Quais os sítios que prefere para se encontrar? Que actividades lhe atraem mais atenção? O que é o espaço público de hoje? O que é o espaço privado de hoje? Onde estão os limites? Faz sentido ter limites? O que atrai a este Homem na televisão? Como é que se relaciona com os seus e com os que não conhece? Como é que ele habita? Quais as mudanças que se têm assistido na sua vida e na sua maneira de se relacionar, com as constantes atracções existentes? Quais são as atracções existentes? O que é, para ele, a atracção?

Poderia continuar. É neste sentido que coloco a pergunta. Julgo que o 'ser moderno', não a responde. E trata outro qualquer assunto. É um texto engraçado de alguém que procura uma posição ética no seu mundo. Que procura, perante a modernidade, um 'ser moderno'. Mas será, digo eu, bastante pessoalizado.
E é com base nestas perguntas, nas suas respostas (ou na falta delas), que se estabelecem as bases para o que poderá ser a arquitecura. De hoje. E para amanhã.

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Soa a promissor.. 

"The Crimson Architectural Historians are sitting in a three-room office on the fourth floor of a fifties building in downtown Rotterdam with their backs to a window on a canal. Not your beautiful, leafy, old, elegant, rustic 17th century Amsterdam canal, but a big, bare, ugly motherfucker of a canal, flanked by brutish buildings of concrete and glass."

'Crimson Architectural Historians' em TooBlessed to BeDepressed

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Portugal parece-me um Bom País para se aprender algumas coisas sobre Arquitectura!
Só existe uma condição: Tem de se querer muito!

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segunda-feira, maio 24, 2004

Questão aberta 

Se calhar está inerente. Mas mais importante que definir a arquitectura, será definir modernidade. Fica então a pergunta, para os blogues que quiserem responder:
O que é a modernidade?

Hei-de dar minha(s) resposta(s). Por agora vou ficar a pensar...

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sexta-feira, maio 21, 2004

ratio, razão, racionalizar 

"I am standing on the threshold, with the intention of entering my room. This is a very complicated undertaking. First, I have to struggle against the atmosphere, which presses against my body with the force of one kilogram per square centimeter. Then I must try to set foot on a floor that is traveling at the speed of thirty kilometers per second around the sun...Indeed it is easier for the camel to pass through the eye of the needle than for a physicist to get beyond a threshold"(1)

O peso deste homem que simplesmente tenta entrar no quarto, refere-se ao sentimento de alienação quando se submete à extrema racionalização. É um fragmento que traz para a mente a ideia da profunda incompreensão dos sistemas à nossa volta. A diferença que existe entre a realidade e o sistema de signos (ou linguagem) que utilizamos. Se nos remetermos à realidade, ela aprisiona-nos. Fecha-se. Deixa de ter significado.


1- Benjamin (sobre Kafka) a citar Eddington (o físico), em 'Architecture and Nihilism' (Massimo Cacciari)

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Conversas com o Jorge 

Conversando, entrámos no desespero dele, expresso no post anterior. No final, ria-se. Ria-se da sua fatalidade. Da vida a ser consumida. Ria-se! Era o riso de Kafka.

Jorge: "Cada vez que abro um livro dele, tudo fica cinza. Os barcos, as ruas, os candeeiros, tudo tenta dar luz mas...não dá. E durante o dia, tudo nublado!"

Continuou: "Felizmente que o livro é um objecto versátil que dá para fechar e abrir!"
É verdade!

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quinta-feira, maio 20, 2004

Cuidado com as imitações 

Acho que já percebi a lógica da instituição onde passo os meus dias!
Reparem...se nós(eles)os mantivermos tão ocupados(os alunos),eles não vão ter tempo para pensar noutras coisas! Só assim vão perpetuar o legado "maquinístico", dotados de grande pragmatismo e sentido de responsabilidade, para servir e CONSTRUIR a IMAGEM de uma instituição!

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Há aí alguém? 

Permitam-me que diga isto. Um desabafo.
Eu explico-me: estou farto Koolhices! Não consigo discutir Portugal porque não me encontro lá. As informações são escassas, ainda mais quando se trata de arquitectura. Por cá, o meu transtorno por tudo o que acontece morre sozinho.

É impressão minha, ou escasseiam blogues de arquitectura? Blogues onde se possam gerar discussões, verificar opiniões, esperar respostas e introduzir novidades. Blogues que falem de Arquitectura (com 'A' grande); de arquitectos (com 'a' pequeno); de situações, de momentos, de extases e desilusões. Blogues capazes de gerar um círculo de discussão. Um circuito interno mas que esteja aberto a tudo o resto.

Mantem-se tudo isolado, cada um no seu caminho. Por vezes, com a falta de ligação, invocam-se outros temas, outras coisas para destoar. Outras vontades que em nada dizem respeito ao propósito do blogue mas que, por razões que se ligam à falta de comunicação, permite-se que aconteçam. Será que sou o único com este desejo? Será que sou o único a pensar assim?

Cada blogue (dos poucos que conheço de arquitectura) em actividade, tem uma identidade propria. Uma maneira de existir que se vai diferenciando. No entanto, seria necessário encontrar este ponto comum que se chama Arquitectura. Comparar (des)conhecimentos e ultimamente o desejo intrinseco de aprender.

Daí, o título deste post: 'Há aí alguém?'. Que poderia muito bem chamar-se: 'Sem assunto'. Digam-me! Se estiver errado, digam-me! Mas provem-me que assim é!

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quarta-feira, maio 19, 2004

Arquitectura é... uma senhora na lavandaria 

Acordo com pressa porque voltei a adormecer. Malditos 5minutos! Na velocidade que as pernas me permitem, atravesso canais e chego à faculdade. Chego..tarde. A aula é um desperdício porque será em holandês. Nenhum erasmus presente, o professor esquiva-se a ter de falar inglês. Saio. Aproveito para dar uma volta na biblioteca e buscar bibliografia para o próximo trabalho. Silêncio. Com os livros na mão almoço sozinho. Parece que hoje ninguém que conheço veio cá. No turbilhão de pessoas a falar esta língua verdadeiramente impronunciavel, acabo o almoço e venho para casa. Bicicleta, giro ao sol. Sim, está um dia magnífico. Desperto para um novo dever: lavandaria. O amontoado de roupa anuncia o fim triste. Mais duas horas perdidas, penso eu. Arrumar tudo em sacos e mochilas e transportar esse peso. Chego. Desfaço tudo em duas máquinas. Branca e Cor. 60 e 40 graus. Lavar e Secar se faz favor. 40minutos de espera e esqueci-me do livro. Cigarro. Sento-me numa cadeira ao fundo de uma salinha de espera improvisada. Ali, cria-se uma espécie de cumplicidade. Não nos conhecemos, mas tens a tua máquina ao lado da minha. Sorrisos suspeitos de quem acaba de ver a roupa interior alheia. Cumplicidade de quem comete o mesmo suplício numa espera de voltas e voltas a lavar e a secar. A espera é longa. Ela, a senhora, chegou perto. Antes de ir embora veio ao pé de mim. 'Sabes, depois de secar não precisas de passar a ferro. Esta máquina é boa por isso!'. Eu espanto-me pela proximidade. Pela vontade em ajudar. Por ter voltado atrás quando já ia saindo para me dar esta grande notícia. Óbvio, eu já sabia. No entanto fiz uma cara de espanto como quem tinha acabado de receber uma novidade. Ela, entusiasmada, contou mais. Desenrolou o seu belo espanhol quando percebeu que eu era português. Eu respondi com sotaque suficiente para ela perceber. Estabelecemos uma amizade de sorrisos. Foi-se embora quando tinha cumprido o que seu coração a intuiu a fazer. Despediu-se: 'Good Luck!'. Para mim, já ganhei o dia.

Arquitectura é mesmo isto. Todos estes pormenores que perfazem a vida. Aparece no meio do todo. Sobressai pela proximidade e pela cumplicidade. Conquista, porque teve uma capacidade de arriscar. Não ensina, mostra apenas aquilo que já sabes. E faz, sem dúvida, ganhar muitos dias. Muitos mais quero eu aprender desta senhora da lavandaria.

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Construir Arte ou a Arte de Construir 

"A arte é sempre realista porque tenta criar para o Homem aquilo que é, acima de tudo, a sua realidade. A arte é sempre idealista, porque toda a realidade criada pela arte é um 'produto da mente'"

Konrad Fiedler em Crítica da Obra de Arte Visual

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domingo, maio 16, 2004

Hoje 

Sou um homem Feliz!
E mais não digo..

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De Delft para o mundo.. 

Agradecemos apoio, divulgação e críticas ao blog “Avenida dos Aliados”!

“Do Porto, pelo Porto, para o Mundo.
A Praça Nova está de volta!
Que trema o país..."



Suponho que todos tenham recebido semelhante mensagem..
Devo dizer que apenas o publico numa de 'bom samaritano'. A verdade é que fiquei com pena desta gente que anda de blog em blog, a recolher emails para enviar. O que se é capaz de fazer por publicidade! No extractos, o esforço foi compensado! Espero que não se torne em fervor clubístico senão, sem qualquer pudor, apago o post!
Porque não há disto, versão Lisboa?

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sexta-feira, maio 14, 2004

Conferência 

Algo surreal. Conferência na passada terça-feira que, com a devida digestão, só consigo anunciar hoje. Sanford Kwinter de seu nome, escritor e editor norte-americano. Conhecia-o apenas pelo prefácio do 'Conversations with students - Rem Koolhaas'. Foi-nos apresentado como professor na Faculdade de Arquitectura da Rice University, co-fundador da Zone Books, juntamente com Bruce Mau e Jonathan Crary. No seu currículo estão uma série de escritos, de teor mais filosófico, relacionados com o design, arquitectura e urbanismo.

Após esta breve introdução, digo-vos porque o considerei surreal.
Começo estrondoso, muito flash e comédia à mistura. Tinha nesta altura agarrado a atenção toda. Auditório cheio, de ouvidos colados no silêncio da sua voz. Diz-se detentor DA teoria para a nova arquitectura. Uma teoria que se baseia em sistemas não hierarquicos, com uma lógica que destrói o pensar a arquitectura de hoje. Apropriação de uma noção de espaço e tempo que se desligam do pensamento regular. Ritmos biológicos e música africana. Um necessário passo para a arquitectura. Perceberam? Eu devo confessar que apenas 'raspei' o conteúdo. Há-que dar crédito ao homem, mas por momentos não estava a acreditar nos meus ouvidos.

Fala em Composição. Não formalismo. Diz-nos que esta composição é uma manipulação e organização de propriedades. Fala da estagnação do sentido de espaço, tal como o conhecemos. Introduz um novo espaço baseado na matéria. Diz-nos que a arquitectura do futuro está intimamente relacionada com o Tempo. A procura deverá estar inserida no contexto do Tempo e não do espaço. Introduz o tempo dos sistemas biológicos e de ritmos musicais (especialmente africanos) que pela ausência de lógica aparente, entram numa complexidade e de uma sistematicidade escondida, que ele diz estar na base da Composição. Falou da suspensão do tempo e de Hegel.

Foi uma conferência de um pouco mais de duas horas. Extensivamente explicou o seu ponto de vista. Acaba a conferência e diz-nos que não tem fórmulas. Óbvio, digo eu...como poderia? Diz-nos que o trabalho do arquitecto passaria por tentar entrar nesta teoria e aí fazer algo dela. Diz que nada daquilo se pode 'disciplinar'.
Curiosamente saimos todos da conferência e pela primeira vez, ninguém a comentou. Fez-se um silêncio como quem diz: "Por favor não me perguntes se gostei!". A razão era obvia. Ninguém tinha conseguido perceber esta nova lógica. Ninguém percebeu esta nova maravilha, esta nova teoria da arquitectura.

Em termos praticos esta composição é de facto, formalismo. Apenas não será um formalismo do saco de plástico. É um formalismo 'intelectual', com um método assente em teorias repuxadas e esquemas lógicos brilhantes. Fatalmente percebi que de facto, já não se pensa em espaço. E que infelizmente, o pensamento continua muito longe das pessoas. Neste caso, estava ligado aos seus sistemas biológicos. Engraçado foi verificar que aquilo que escrevi na 'Crítica ou não Crítica(Parte2)', se enquadra na perfeição. A conferência serviu-me para juntar umas peças a este puzzle que se vai desenhando na minha cabeça.

Gostei de poder novamente respirar ar puro quando li o 'Habitar as paredes' no Projecto. No entanto, quando tiver um pouco mais de tempo, hei-de comentar esse texto e introduzir aquilo que penso estar na base do formalismo. Foi uma das peças que consegui juntar desta conferência. E relaciona-se com Heidegger, e o livro que está na base do texto do Lourenço.

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Mais um 

Desta vez o Quinto..dos Impérios!
Parabéns aos 'rapazes' (uns mais que outros), que ainda hoje deram a cara!
O primeiro de muitos, espera-se.

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quinta-feira, maio 13, 2004

Olha que cousa mais linda! 

      

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quarta-feira, maio 12, 2004

Começa assim.. 

"The origin of architecture does not lie in the hut, the cave or in the mythical 'Adam's house in paradise'. Before a support was transformed into a column, a roof into a pediment, and stone heaped upon stone, man put a stone on the ground in order to recognize place in the midst of the unknown universe and thereby measure and modify it."

Vittorio Gregotti em Territory and Architecture

Ora aí está! A arquitectura de contexto..de lugar!

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Puxa para a direita, encosta ao lado 

Parabéns pelo novo Projecto.
Está belo!

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segunda-feira, maio 10, 2004

Resultados.. 

..da votação. Quem faria o melhor sítio de silêncio? E o prémio vai para...NINGUÉM! É verdade, dentro das opções inseridas, a que ganhou maior número de votos, foi mesmo 'nenhum destes'. Em segundo lugar com mesmo número de solicitações - o Mestre Manel Vicente e os irmãos Aires de Mateus.

Próxima votação virá quando me lembrar de algo interessante para sujeitar ao vosso juizo. É que entretanto, expirou o tempo de permanência, e começavam a surgir votos duplicados. Sugestões, comentários, insultos, convites obscenos, ou o que quer que seja...via mail!

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És um verdadeiro! 

Quando olho para a nova imagem no blog, não consigo falar a sério. Assim sendo, uma piada - um belo extracto do Robbie Williams - que temos o maior prazer em apresentar.

“Tenho uma relação de amor-ódio com a fama – mas estou viciado nela, e quem me dera não estar. Sou um 'entertainer' nato, quando abro a porta do frigorífico e a luz se acende, começo logo a cantar”.

Obrigado Robbie.

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domingo, maio 09, 2004

Domingo, Maio 09, 2004 

Domingo, Maio 09, 2004
Domingo, Maio 09, 2004
Domingo, Maio 09, 2004

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sábado, maio 08, 2004

o EXTRACTO que faltava.. 

"Esquece tudo...e sê feliz!"
Nuno Matos Silva,

em "Memórias de uma adolescência feliz", escrito e adaptado por pb

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sexta-feira, maio 07, 2004

Crítica ou não Crítica - Parte2 

Perdoem-me o tempo que demorei a conseguir elaborar a continuação deste post. Outras coisas foram-se sobrepondo a esse raciocínio. Para o recuperar, farei um apanhado do que antes escrevi. Falei do crescente individualismo na sociedade e da influência das novas tecnologias, cada vez mais presentes na vida das pessoas. Falei de uma situação de mudança na arquitectura. Uma mudança que traz uma inerente vontade de 'matar os pais', ou seja, introduzir inovações que entram muitas vezes em directo confronto com os ensinamentos dos grandes mestres do passado. Um ardente desejo pelo novo. Sugeri nesse post, que uma das maiores diferenças estaria relacionada com a questão da Ética (escrevi Moral) e da Teoria. Pareceu-me que, mesmo estando a arquitectura já há algum tempo completamente separada da política, a grande (ou maior) diferença estaria no campo social. Ou seja, a nova geração rejeita a intervenção social. Chamei esta intervenção de Utopia. Dentro deste contexto, a arquitectura para sobreviver, teria as suas bases na mediatização. A forma, o objecto passou a estar no primeiro plano do acto de construir. A minha questão centrava-se basicamente na impossibilidade de, nestes termos, se estabelecer uma crítica. Como se faz a crítica da forma?

Lourenço, eu também não acredito em revoluções sociais. Não acredito, nem desejo. A Utopia que falo é apenas um desejo de não excluir o social do acto de projectar. Tentando novamente esclarecer minhas ideias: eu não sou contra a forma! Acho importantíssimo a imagem. Tenho imensos tiques formalistas. O que me preocupa é que se reduza a arquitectura a apenas isso. Um fragmento, uma imagem. Porque é disso que se trata! Trata-se de fazer um objecto e enfiar programa lá dentro. Trata-se de uma declaração em que o contexto é indiferente porque o mundo é uma aldeia. Aliás, o Koolhaas tem um texto bem esclarecedor (que eu tentei encontrar mas não consegui), entitulado 'Fuck the context'.

Todo este tipo de atitudes são muito pouco construtivas. A arquitectura nunca poderá ser feita como um acto individualizante. Quando o faz, desgraça-se e desfaz-se. O objecto arquitectónico nunca poderá ser algo isolado mas sempre dentro de um contexto urbano. A arquitectura nunca poderá assumir uma atitude des-responsabilizante porque estas atitudes têm repercussões na maneira de viver de uma cidade. A nova geração assenta suas bases em noções profundamente diferentes acerca de tempo e espaço; anula por completo algumas bases Vitruvianas em relação à duração e estabilidade, assim como o bem conhecido genius loci. É pura arquitectura nihilista de negação.

Parece-me que o objectivo de trazer a arquitectura (e as artes em geral) para a ribalta está a tomar caminhos errados. Assume-se uma escala muito global. Perde-se o objectivo de desenhar para pessoas com nomes e caras concretas. Os edifícios são vazios de conteúdo porque simplesmente assumem que as pessoas não 'atingem' esse conteúdo (ou muito simplesmente não estão interessadas). Para mim, perde-se a lucidez na investigação da arquitectura. Deixa de haver lugar para a ilusão. Deixa de haver lugar para a magia de um detalhe. Os espaços são vazios. Perde-se o Espírito. Faz-se tudo a partir de um consumo pela imagem. Este vazio é conhecido e aceitado:

"Junkspace is the sum total of our current achievement; we have built more than all previous generations together, but somehow we do not register on the same scales. (...)According to the new gospel of ugliness, there is already more Junkspace under construction in the 21st century than survived from the 20th...It was a mistake to invent modern architecture for the 20th century; (...) Junkspace seems an aberration, but it is essence, the main thing(...). It replaces hierarchy with accumulation, composition with addition. More and more, more is more. Junkspace is like being condemned to a perpetual Jacuzzi with millions of your best friends..."(1)

É dentro deste contexto e desta evolução que insisto na pergunta: Haverá espaço para a crítica? Estando tão longe das pessoas, a arquitectura tenta abarcar o mundo. A globalização o permite. Arquitectura Bio-climática; auto-sustentável e outras coisas do género - estará aqui o único desejo pelo social? Continuo a afirmar que continua imensamente longe das pessoas. Não atinge a ninguém porque voa muito alto. As Utopias surgem apenas inseridas dentro de um contexto ecológico. O maior exemplo é o da PigCity dos MVRDV em que se debatem com estas problemáticas e elaboram um esquema de cidade auto-suficiente. Na apresentação, usam porcos (ao invés de pessoas, julgo eu). O pensar da cidade e da arquitectura serve de igual maneira para os dois casos. É este o nível de profundidade inerente.

O formalismo puro, simples e único...deita fora a possibilidade de haver qualquer tipo de discussão. Pelo menos uma discussão relacionada com os conteúdos que a arquitectura, a meu ver, deveria manter.

"In a world that incessantly consumes images, in a constantly expanding metropolitan culture, in a universe whose buildings are no more than a few of the infinite number of figurative and informative dwellings that surround us, there nonetheless exists architectonic event. The event is like an extended chord, like an intensity at an energetic crux of streams of communication, a subjective apprehension offered by the architect in the joy of producing a polyphonic instant in the heart of the chaotic metropolis." (2)

1- Rem Koolhaas, em junk-space
2- Ignasi de Solà-Morales em Place: Permanence or Production

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Manual do Messias 

"Todas as pessoas,
todos os acontecimentos da tua vida
estão lá porque
tu os levaste para lá.

O que decidires
fazer com eles
depende unicamente de ti."

Richard Bach, em Ilusões

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quinta-feira, maio 06, 2004

Um 

Parabéns ao Abrupto!
Não o diria apenas pelas razões que o Projecto enumerou.
Diria mais por esta qualidade que os blogs têm de irem revelando um pouco do que cada pessoa leva cá dentro. Assim sendo, JPP foi uma revelação. Veio revolucionar minha imagem de político. Sou de uma família que olha para a política em termos de ideais, e não em termos de pessoas. A mim, fazia-me cada vez mais impressão o não me conseguir localizar dentro dessa linha de esquerda-centro-direita. Hoje, sem dúvida que olho a pessoas. E o abrupto introduziu-me a noção de que há poesia num político.
De repente, leio por prazer (às vezes por rotina). Esqueço, quem escreve.

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quarta-feira, maio 05, 2004

Onde é que eu já ouvi isto? 

"Any sort of rule or principle that relates to art, regardless of how long it has existed or how fundamental it seems, must be investigable, and when found to be inappropriate or untrue in its very foundations, it must be rejected." (1)

"Designers of the historicist school offend their anti-historicist contemporaries by refusing to recognize any creativity in them. The anti-historicists accuse them of not understanding that art's purpose is to mirror the contemporaneity that surrounds it. Already those who do see and aspire to the new direction are separating into two camps: the 'aesthetic rationalists' and the 'technological rationalists'. The slogan of the first is 'form' and of the second, 'construction'. The 'aesthetic rationalists' see architecture as an art of abstract form, to be composed according to rules that have been established a priori. The 'technological rationalists' approach the problem of form from the other side, and in designing they believe that everything in the parts and the whole must emerge purely in response to utility and construction." (2)

1- Bykovsky, Moscovo (1834)
2- Krasovsky, St. Petersburg (1851)

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No entanto ainda há quem se esqueça!!! 

     



:: live as if you were to die tomorrow, learn as if you were to live forever ::
::Ghandi

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terça-feira, maio 04, 2004

para ler 

A nostalgia do daniel, no seu Regresso ao subúrbio.

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segunda-feira, maio 03, 2004

Ainda o Dia da Mãe!! 

    



EI!!!
O KÉ K XAMASTE À MINHA MÃE!!!!!

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Ésseélebêêêêêeeeeee 

Ésseélebêêêêêeeeeeeeeeeeee
Ésseélebêêêêêeeeeeeeeeeeee
Ésseélebêêêêêeee
Ésseélebêêêêêeee
Ésseélebêêêêêeeeeeee
GLORIOOOSOO
ÉsseélebÊÊÊÊeeeeeee
GLORIOSO
ÉsseélebêêêêêEEEEEEeeeeeee

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domingo, maio 02, 2004

Dia da Mãe 




E também, do:
vs. sporting

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sábado, maio 01, 2004

Dia do Trabalhador 


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Combinação de futuro 

Sabes Jorge,
descobri hoje que és um sentimentalista e eu sou um humanista.
Temos a combinação perfeita. Depois explico-te.
Apeteceu-me apenas colocar isto num post.

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