<$BlogRSDURL$>

sexta-feira, maio 14, 2004

Conferência 

Algo surreal. Conferência na passada terça-feira que, com a devida digestão, só consigo anunciar hoje. Sanford Kwinter de seu nome, escritor e editor norte-americano. Conhecia-o apenas pelo prefácio do 'Conversations with students - Rem Koolhaas'. Foi-nos apresentado como professor na Faculdade de Arquitectura da Rice University, co-fundador da Zone Books, juntamente com Bruce Mau e Jonathan Crary. No seu currículo estão uma série de escritos, de teor mais filosófico, relacionados com o design, arquitectura e urbanismo.

Após esta breve introdução, digo-vos porque o considerei surreal.
Começo estrondoso, muito flash e comédia à mistura. Tinha nesta altura agarrado a atenção toda. Auditório cheio, de ouvidos colados no silêncio da sua voz. Diz-se detentor DA teoria para a nova arquitectura. Uma teoria que se baseia em sistemas não hierarquicos, com uma lógica que destrói o pensar a arquitectura de hoje. Apropriação de uma noção de espaço e tempo que se desligam do pensamento regular. Ritmos biológicos e música africana. Um necessário passo para a arquitectura. Perceberam? Eu devo confessar que apenas 'raspei' o conteúdo. Há-que dar crédito ao homem, mas por momentos não estava a acreditar nos meus ouvidos.

Fala em Composição. Não formalismo. Diz-nos que esta composição é uma manipulação e organização de propriedades. Fala da estagnação do sentido de espaço, tal como o conhecemos. Introduz um novo espaço baseado na matéria. Diz-nos que a arquitectura do futuro está intimamente relacionada com o Tempo. A procura deverá estar inserida no contexto do Tempo e não do espaço. Introduz o tempo dos sistemas biológicos e de ritmos musicais (especialmente africanos) que pela ausência de lógica aparente, entram numa complexidade e de uma sistematicidade escondida, que ele diz estar na base da Composição. Falou da suspensão do tempo e de Hegel.

Foi uma conferência de um pouco mais de duas horas. Extensivamente explicou o seu ponto de vista. Acaba a conferência e diz-nos que não tem fórmulas. Óbvio, digo eu...como poderia? Diz-nos que o trabalho do arquitecto passaria por tentar entrar nesta teoria e aí fazer algo dela. Diz que nada daquilo se pode 'disciplinar'.
Curiosamente saimos todos da conferência e pela primeira vez, ninguém a comentou. Fez-se um silêncio como quem diz: "Por favor não me perguntes se gostei!". A razão era obvia. Ninguém tinha conseguido perceber esta nova lógica. Ninguém percebeu esta nova maravilha, esta nova teoria da arquitectura.

Em termos praticos esta composição é de facto, formalismo. Apenas não será um formalismo do saco de plástico. É um formalismo 'intelectual', com um método assente em teorias repuxadas e esquemas lógicos brilhantes. Fatalmente percebi que de facto, já não se pensa em espaço. E que infelizmente, o pensamento continua muito longe das pessoas. Neste caso, estava ligado aos seus sistemas biológicos. Engraçado foi verificar que aquilo que escrevi na 'Crítica ou não Crítica(Parte2)', se enquadra na perfeição. A conferência serviu-me para juntar umas peças a este puzzle que se vai desenhando na minha cabeça.

Gostei de poder novamente respirar ar puro quando li o 'Habitar as paredes' no Projecto. No entanto, quando tiver um pouco mais de tempo, hei-de comentar esse texto e introduzir aquilo que penso estar na base do formalismo. Foi uma das peças que consegui juntar desta conferência. E relaciona-se com Heidegger, e o livro que está na base do texto do Lourenço.

|

Comments: Enviar um comentário

 

This page is powered by Blogger. Isn't yours?