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segunda-feira, maio 31, 2004

Deixa-me usá-lo 

e em resposta, dizer-te que é um texto fantástico. Quase que um manifesto. Uma digestão da enorme ruptura que o maldito homem (leia-se Koolhaas) nos impõe a fazer.

No entanto, da digestão que tenho eu feito, há coisas que vão um pouco mais longe. Ele não nega a emoção. Ele nega a fabricação de Espírito. Perfaz toda uma desacralização do Espaço, negando o que nos foi introduzido pelo Kahn. Exactamente pelas várias razões que enumeraste, os espaços dele são vazios, sem espessura, com conteúdos onde reina a superficialidade. Acredito que ele brinca. Ele brinca inclusivé com emoções. Mas daquelas que estão mais à flor da pele. Ele brinca com o programa, com subversões, com ligações dúbias. Esquece o espaço porque, para ele, não influencia. O campo de trabalho estará nestes constantes curtos-circuitos que se fazem.

Se calhar falamos do mesmo. A emoção quando atirada para o seu estado mais puro, mais profundo, é a revelação do Espírito. Ele nega que as pessoas tenham sensibilidade para se aperceberem deste nível de profundidade.

Depois é mesmo verdade, atira a estetização para um campo intelectual. Com uma capacidade de produção fora deste mundo (como é a OMA), perfaz um sem número de estudos de forma. Diagramas e mais diagramas; "mapas com pontinhos" (brilhantemente inventado pelo Lourenço), uns atrás dos outros; criar uma imagem com um background de suporte à escolha. Um paradoxo rapidamente resolvido pela nulidade da 'antiga' regra.

A maneira como as obras se perdem de um conjunto é totalmente apoiada por uma estrutura que nega a necessidade do todo. A sua arquitectura 'metropolitana' é apenas megalomaníaca numa escala modesta. Por isto mesmo, não percebo um dos pontos do texto. Aquele que fala da vontade deste arquitecto em mudar o mundo. Não acredito nisso. Acredito que este arquitecto queira mudar uma geração, e um rumo para a arquitectura (ou lá como se for chamar esta arquitectura sem espírito). No seu currículo, para além de milhentas contestações, estão essencialmente críticas ao movimento moderno - assumindo-o como O erro do século XX - e às Utopias, dizendo que as tentativas de estabelecer espaços 'tradicionais' onde se tenham 'formas decentes de relacionamento' são totalmente descabidas e desadequadas.
O que Koolhaas mais aprecia na sua metrópole é exactamente a maneira como não a consegue 'agarrar'. É neste sentido que utiliza uma arquitectura de provocação, de Bigness, de metáfora, de entertenimento. Repugna o Movimento Moderno porque isolou componentes, quantificou funções, tentou fazer da cidade algo previsível. O que ele pretende utilizar é este potencial do imprevisível. E aqui introduzir uma arquitectura metropolitana. Se há alguém que neste momento o está a fazer, com originalidade e acrescentando algo mais, é ele.

Finalizando. E aqui, estou eu de acordo, e o Lourenço em total desacordo. Ele, sem duvida que parametriza a arquitectura. E porque não? E quem disse que a arquitectura é arte?

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