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quarta-feira, maio 26, 2004

O verdadeiro Susto 

(Sobre Coney Island. O prototipo da cidade contemporânea, segundo Koolhaas)
Fica este extracto:
"It is often alleged that the Metropolis creates loneliness and alienation. Coney island responded to this problem with the 'Barrels of Love'.
Two horizontal cylinders - mounted in line - revolve in opposite directions. At either end a narrow staircase leads up to the entrance; one feeds men into apparatus, the other women. It is impossible to remain standing in the machine; men and women are thrown on top of each other. The unrelenting rotation then creates synthetic intimacy between couples who would never have met without its assistance.

If necessary, this intimacy could be further processed in the 'Tunnels of Love'. An artificial mountain next to the couple-forming machine. The freshly formed pairs would board a small boat that disappears inside a system of dark tunnels where complete obscurity ensues - or at least - visual privacy.
The rocking movement of the boats on the shallow water was supposed to increase sensuality.

(...)all the natural elements that once defined the attraction of the Island, were systematically replaced by a new kind of machinery that converted the original nature into an intricate simulacrum of nature, a compensatory technical service."(1)

Será este o passo seguinte? Não será o meu certamente. Mas o que ele diz neste texto é bem real e um belo reflexo da modernidade. Assuta? E de que maneira! A total ilusão de preenchimento de um vazio. Um buraco por si só já fundo, que tende a alongar. Um "serviço técnico de compensação". Compensação? Quando muito um entretenimento momentâneo. Um 'desligar' do cérebro e, pior que isso, de tudo o que nos faz ser humanos. Um aproveitar tecnologico que tenta ser um comprimido para o coração. Desespero pelo que leio? Talvez antes. Agora não.

Porque não desespero? Porque o Homem, continua a ser feito e concebido com a mesma estrutura e com a mesma vontade de ser feliz. Porque no coração só entram coisas próprias do coração. E não há remédio estimulado pelas novas invenções que resolvam isso. O ser feliz continua e continuará a ser apenas aquele que consegue ter o coração cheio. Para o conseguir, cada um terá que procurar dentro de si as suas próprias respostas.
Porque não desespero? Porque não acredito no Homem sem cara. Naquele que faz parte das estatísticas e perfaz a população mundial. Não acredito no Homem-tipo. Não acredito no ser rotulado. Acredito, isso SIM, em todas as pessoas que fazem parte da minha vida. Acredito, nestas pessoas, e na transformação que podemos ir operando uns com os outros. Acredito. Acredito em Deus.

Como arquitecto, acredito no contar de histórias e no responder de certas necessidades das pessoas que me for relacionando. Acredito que posso trazer melhores condições, para que essas pessoas possam provocar - por elas próprias - a felicidade que procuram. Mas é aí que cessa a minha actividade como arquitecto. Quando passa a barreira de simplesmente criar uma base onde se sentar. Porque a transformação, surge da vontade de cada um.

1- Rem Koolhaas em 'Life in the Metropolis' or 'The Culture of Congestion'

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