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terça-feira, junho 29, 2004

Just Process 

E mais nada.
Pelas cinco e meia da manhã sou informado que o concurso, para o qual estamos a finalizar as perspectivas, já está ganho. Basta entregar toda a carrada de material exigido pelo programa.
Finalizado pelas duas e meia da tarde. O produto final tem boa volumetria e um bom peso final. Pareceu-nos bem. Chega o boss de um fim de semana na praia, para ver o fruto dos seus pensamentos.
Muita palha. Era o necessário. Era exigido.
Trabalho finalizado.

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Ausência 

Não digam nada. Perdoem-me a ausência prolongada.
A razão, facilmente perceptível, é mesmo a falta de tempo real. Comecei a trabalhar na semana passada; estive a trabalhar para a apresentação de um concurso que entregámos hoje. O resultado foi um fim de semana sem descanso e com poucas horas de sono. Para agravar a situação, trabalho num computador que não está ligado à rede e muito menos tem internet.
Devo dizer que estou a adorar. É uma luta para ver quem me pode ter. Todas as manhãs há discussões para ver quem pode ficar aqui com o escravo. E o escravo aceita de bom grado.
E a vida do trabalhador vai rolando. Aprende-se muito. Conhece-se algo mais. Mas a realidade é que há muitas imagens idílicas que se vão derrubando a pouco e pouco.

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sábado, junho 19, 2004

A Vida Contemporânea 

Um post do Daniel, com a velocidade da vida contemporânea. A vida da cidade. O tão propalado abraço da tecnologia. Um post que acaba quase como um grito. Não assusta, mas fica a fazer eco.

Nesse eco, surgiu-me uma pergunta. No futuro, para que servirão as cidades? Porque até agora, a vida contemporânea é igual a vida da metrópole, da cidade. Mas com o evoluir do easy-everything, haverá necessidade de estar lá? Ou bastará estar à distância de um computador?

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House X 

"The problem [we face now is] choosing between an anachronistic continuance of hope and an acceptance of the bare conditions of survival....Incapable of believing in reason, uncertain of the significance of his objects, man [has lost] his capacity for signifying....The context which gave ideas and objects their previous significance is gone....The [modernist proposal of the] "death of art" no longer offers a polemical possibility, because the former meaning of art no longer obtains. There is now merely a landscape of objects; new and old are the same; they appear to have meaning but they speak into a void of history. The realization of this void, at once cataclysmic and claustrophobic, demands that past, present, and future be reconfigured. To have meaning, both object and life must acknowledge and symbolize this new reality."

Peter Eisenman, introdução ao Aldo Rossi in America, 1976 to 1979

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sexta-feira, junho 18, 2004

Arquitectura é Vida 

Com desculpas pelo atraso, o 'Extractos' gostaria de agradecer à revista 'Arquitectura e Vida' pela simpática referência que nos fazem. Foi com considerável surpresa que vimos o 'Extratos' aparecer numa das revistas de arquitectura de referência em Portugal. Deixa-nos a todos muito orgulhosos e com ainda maior vontade de continuar esta aventura de troca de ideias e extractos.

Agradecer também ao Lourenço pelo simpático mail e respectiva foto que regista o momento!


Obrigado.
'equipa extractos'

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quarta-feira, junho 16, 2004

Eu explico.. 

..a minha ausência. Estou na última semana. Entre os últimos exames (que já acabei), apresentação final (ontem) e um artigo que me falta escrever, entra também a necessidade de arrumar tudo, empacotar, terminar contratos, entregar livros, receber outros, arranjar transitário, tratar das papeladas exigidas. Obviamente que aqui no meio há momentos de que não dispenso: ver os jogos de Portugal e Holanda; e especialmente ter tempo para poder despedir-me como deve ser dos meus amigos. No meio disto tudo resta muito pouco tempo, disponibilidade mental e emocional.
Deixo-vos. Há-que tratar de tudo antes das 20h45m! A partir daí é só Portugal e festas!
Até já

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segunda-feira, junho 14, 2004

O Projecto 

Faz hoje um ano que o Lourenço começou a responder à pergunta "..e porque não?".
Muitos Parabéns. Um dia certamente para celebrar. O Projecto é e continuará a ser O blog de arquitectura de referência. Para mim, uma visita diária que assimilo quase como o meu sumo de maçã mesmo antes de sair de casa.
Obrigado pelas actualizações constantes, pelas visões e conversas, e pela companhia que me tem feito durante grande parte deste ano.
Espero, muito sinceramente, que continue a ser capaz de nos ceder parte dos seus pensamentos.
Abraço e...Bom dia, para ti também!

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domingo, junho 13, 2004

Das Neue Frankfurt 

O Movimento Moderno atingiu a dimensão que pretendia em Frankfurt. Ernst May, uma das figuras principais dos CIAM nos anos iniciais, seria o precursor para uma série de experiências ao nível da habitação e planeamento da cidade.
Não interessa falar agora de situações específicas de Frankfurt, e entrar em grandes detalhes sobre os projectos (até porque não sei). Frankfurt veio tornar-se o alvo do orgulho dos senhores do Movimento. Tinham em mãos projectos de grande escala. Poder-se-ia começar a desenhar aquilo que Gideon tanto ambicionava no seu 'Space, Time and Architecture': uma nova unidade. Interessante será constatar a realidade crua da distância que vai dos argumentos ao projecto e obra construida.

Gideon bem pode ser considerado o 'escritor sombra' do Movimento. Foi dos protagonistas dos encontros e a partir dos seus escritos foi possível encarar o Movimento como um todo. Falou de um novo conceito de espaço-tempo que se baseava no fascínio pelo ferro e vidro. Esse potencial de transparência que anulava as diferenças entre 'dentro' e 'fora'. O exterior e o interior estariam em constante relação. Esta interpenetração verificar-se-ia a várias escalas. Volumes bem definidos; relações entre espaços por momentos em que o chão desaparece; interpenetração de volumes equivalentes. A arquitectura deixava de ser definida por fachadas representativas e volumes grandiosos para se basear em novas relações trazidas por uma nova lógica estrutural. Aqui, dizia ele, nesta nova percepção de espaço e tempo, estaria a unidade escondida e tanto procurada numa época de tamanha turbulência.

A aplicação de May, baseada num extremo racionalismo e funcionalismo, tentava antecipar a sociedade futura. As necessidades exigiam respostas adequadas. A vontade impunha uma nova e unificada cultura. Uma cultura de liberdade, de abertura, de pureza. Era isto o Existenzminimum. A arquitectura procurava a simplicidade, o chegar à essência. A essência neste caso, era a função. O Existenzminimum assumia-se assim como um novo ideal estético aliado a principios projectuais. A nova cultura seria racionalmente organizada e agradavelmente livre de conflitos.

Não se percebe, obviamente, a ingenuidade destas pessoas. Suas intenções estavam intrinsecamente ligadas à promoção da liberdade de cada indivíduo, criando ao mesmo tempo o maior potencial possivel para desenvolvimento. Neste contexto, é dificilmente lógico assumir que cada um destes indivíduos iriam fazer as mesmas escolhas e iam mudar de maneiras semelhantes. Era isto, no entanto, que estava por trás do caracter homogéneo do novo público metropolitano.

Não quero obviamente bater no ceguinho. São bem conhecidas as falhadas aplicações do Movimento Moderno. Há, no entanto, uma quantidade de coisas que para mim não ligam. Como promover uma cultura altamente racionalizável se aquilo que se pretendia exponenciar era exactamente o irracional e o subjectivo? Como se estabelecem regras para a liberdade? Nem está em causa a ingenuidade de pensar que a arquitectura seria capaz de trazer uma nova liberdade, ou mesmo de iniciar um processo de reforma da sociedade. O que está em causa é a maneira como os escritos foram aplicados. A total falta de lógica entre aquilo em que se acreditava e a concretização.

Frankfurt é apenas o exemplo mais visível.
Por outro lado, a arquitectura de Niemeyer, foi capaz de criar uma genuina arquitectura brasileira. Note-se, no entanto, que isto acontece numa fase pré-Brasilia. Com um orçamento grande e escalas desmedidas, os seus projectos não atingem a glória que se distingue nos seus projectos 'mais pequenos'. Niemeyer é provavelmente aquele que dos escritos de liberdade consegue traduzir de melhor forma. Não tem (nem de longe) a profundidade e a significação que tem, por exemplo Le Corbusier, mas a sua poética voadora e aparentemente irracional atinge um sentido bem mais libertador.

Digo, no entanto, que prefiro muito mais uma teoria com aplicação falhada do que uma qualquer coisa sem passado, convicção, e direcção. Ou quente, ou frio. Morninho é que não!

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sexta-feira, junho 11, 2004

COOL 


REM KOOLHAAS

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NEW MINIMAL 


HERZOG & DE MEURON

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MASSIVE 


FRANK GEHRY

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HOT 


PETER EISENMAN

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quinta-feira, junho 10, 2004

sim mestre!!! 

mas achas q assim estão boas!
JorgeRestaurando diz:
fiz uma impressão num A4...e tavam +/-
Trabalhando ao som de Pixies diz:
pareceram bem porreiras!
JorgeRestaurando diz:
uf
Trabalhando ao som de Pixies diz:
bom trabalho "escravo"

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quarta-feira, junho 09, 2004

Apetece-me.. 

..falar sobre a capacidade mimética da arquitectura. E porque não?
Quem me introduziu foi este senhor aqui em baixo. Um percurso singular, marcado por um conteudo nem sempre rectilíneo. Bem conhecido é o seu trabalho sobre a Arte no tempo da Reprodução Mecânica. A ausência da 'aura' relaciona-se definitivamente com esta mimética que vos quero falar.
Introduz-nos a mimese como uma vertente da linguagem. Diz-nos que é a outra parte da semiotica. Ora, a semiotica trata uma relação directa. Uma comunicação apreendida simplesmente pela palavra-significado directo. A mimese aparece como uma capacidade escondida da linguagem. O único exemplo que me surge agora é o do 'tchim-tchim' que se diz ao brindar um acontecimento qualquer com os copos na mão. A mimese entra aqui porque a palavra não só tem um significado directo (semiotico) mas também alude ao barulho dos copos quando se tocam.
Benjamin diz-nos que esta capacidade 'extra' da linguagem é quase que esquecida nos nossos dias. Inerente a este 'esquecimento' está também aquilo que ele chama de enfraquecimento de experiências. Ou seja, a generalidade das pessoas percorre os seus dias sem estabelecer grandes afinidades com o que as rodeia. Aquilo que tantas vezes chamamos a 'observação' do arquitecto e sua atenção, é mesmo algo específico desta maneira de estar atenta, e não se torna algo generalizado. No entanto, esta visão pouco favoravel do mundo não pressupõe um desistir.
Assim sendo, enaltece a capacidade de mimese que a arquitectura deve ter. Como linguagem, deverá ter esse potencial. E nesse sentido, não tratará apenas um responder de necessidades directas como também se impõe a existência de crítica.
Óbvio. Benjamin era judeu e toda a sua teoria estava baseada numa visão tripartida do mundo: o período de nascimento paradisiaco (anterior à Revolução Industrial), período de decadência (o actual), e o período de redenção (o que está para vir). Nesse sentido, impunha que a mudança poderia estar não no ignorar das características próprias da condição do ser moderno (como o fez o Movimento Moderno), mas numa capacidade mimética, aliada à crítica, que deveria permanecer na arquitectura.
Como é que isso se faz? Dois exemplos: O museu de Libeskind, em Berlim; o terminal marítimo de Koolhaas, em Zeebrugge. Se quiserem que me explique nestes exemplos..vão ter que esperar.


Walter Benjamin

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terça-feira, junho 08, 2004

Adeus Delft (1) 

Vou retomar o diário da despedida. Um apontar de alguns dos melhores momentos deste ano. Uma tentativa de ir arrumando a mente antes de ter que literalmente arrumar a casa. E partir.

Lembro-me do primeiro mês. Ao contrário do que o M'A dizia no seu mail no post em baixo, meus primeiros tempos foram qualquer coisa como: "O que é que eu estou a fazer aqui!?!?!". Despedi-me de Lisboa ao melhor estilo. Grande jantar no final de Agosto, onde toda a gente apareceu. Sim...vou dizer...sou especial! Tenho dos melhores amigos que se pode ter. Tive gente que veio do Algarve e uma amiga especial que veio da Madeira. Após me ter sido esparrapachado na cara o quanto sou feliz em Lisboa, apanho o avião e venho para a chuva de Delft. Deprimidissimo. Miseravel. O primeiro mês foi uma luta. Ainda a recuperar do que tinha deixado, fui-me deixando levar num contínuo abandono de mim mesmo no lar. Encontrei aquilo que desconhecia. Encontrei, aquilo que chamam de solidão. Horrível sensação de sufoco sem que nos deixe de faltar a respiração. Uma revolta por não me sentir em mim. Por, estupidamente, sem apoios já não ser capaz de estruturar nada.

Há-que enquadrar. Sou um filhinho da mamã que sempre teve quem lhe fizesse comida e quem lhe lavasse a roupa. Sempre tive onde me apoiar em quase tudo. Desta vez, vinha com a vontade de me apoiar unicamente no meu refugio de sempre. Deus. Fui engolido e fracassei. Tive que ir aprendendo, aos poucos, e numa lingua estranha.
Olhando agora, recuperando algumas das orações que tenho da altura, penso que nunca cheguei a tamanha profundidade. Em momento algum estive tão próximo de Deus sem me aperceber disso. Descobri muitas coisas nessa altura. Conheci outra parte de mim. Quero-vos dizer (ou lembrar) que sou daquelas pessoas que sempre achou que se conhecia imensamente bem, e que não teria, nesse aspecto, nada a aprender. Óbvio, estava enganado.

O ambiente erasmus fazia-se sentir aos poucos. Fui conhecendo gente. O horário de aulas é quase nulo. Maior parte é trabalho individual e em casa. Na residência tudo é Holandês e até hoje, ainda não vi o homenzinho (ou mulherzinha) que mora no quarto imediatamente ao lado. Só sei que toca piano. Mal. De resto, são só teorias e conspirações minhas. A entrada da residência é um corropio de entradas e saídas onde podes ficar parado durante umas horas sem que ninguém te cumprimente. Toda a gente é transparente. Vim do paraíso e caí de paraquedas naquilo que eu pensava ser o reino do individualismo e da falta de sentido de comunidade. Podes fazer o que quiseres porque está-se tudo a cagar para o que fazes. Tudo, de resto era desconhecido e lembro-me que um dos meus maiores desejos era começar a ter rotina de algo. Uma rotina. Algo que pudesse juntar ao pacote 'coisas conhecidas'.
Estou, intencionalmente, a pintar um quadro bastante negativo deste primeiro mês. Lembro-me dele assim. Hoje, sinto que valeu a pena. Aprendi imenso. A sério. E aprendi dos maiores mistérios que podem existir no que toca ao compreender a dor. Porque a saudade apertava tanto que chegava a doer.
Ia, obviamente, conhecendo pessoas. Ia, obviamente às afamadas festas erasmus. Mas há algo nestas coisas que envolvem excessos de tudo que, sinceramente, pouco me atraem. Saio de lá sempre vazio. E com a impressão que pouco consegui falar com as pessoas. É engraçado. Conhece-se as pessoas noutros ambientes. Há loucuras que são feitas de vez em quando. Mas é como a pastilha elástica. Passado algum tempo, deixou de saber a morango (ou seja lá o que for).

Lembro-me que a primeira grande viragem do ano foi uma visita de uns amigos meus. Faziam inter-rail e fizeram o desvio para passar por Delft. Ficavam só um dia. Fui buscá-los à estação. Grande felicidade..não os tinha visto ainda naquele verão (era finais de setembro). A transformação deu-se na forma de um abraço. Simples. Com força. E de real saudade. De repente parei. Reparei que de facto, existia algo de novo. É que fazia um mês que já não abraçava ninguém. As pessoas cá, se não as conheceres bem, não cumprimentas. Não tocas, não apertas mão, não nada. Apenas entre os erasmus havia alguns cumprimentos mas não passavam daqueles gestos rotineiros de quem estende a mão por simpatia. O abraço foi algo totalmente diferente. Porque recolhes alguém em ti. Porque é todo um gesto capaz de significar o poder de uma amizade.
Sei que passei o dia em extase. com uma alegria imensa de poder falar português. A rir de 5 em 5 minutos pelos palavrões em português que iam surgindo. Que saudades! Que momento! Parecia que estavamos deslocados de sítio. Entregues no mundo e agarrados à felicidade de neste dia podermos estar juntos.
Vê-los partir foi difícil. Mas o perceber que existe muitas mais mãos que nos tentam agarrar quando estamos mais longe, foi de facto, fundamental. E perceber que tinha de acordar daquele mês de lamentações e de pura saudade. Acordar. Largar Lisboa definitivamente e aprender a disfrutar Delft. Ter a certeza, que para ser o melhor ano da minha vida, tinha que o fazer render.

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segunda-feira, junho 07, 2004

Liberdade de expressão 

Disseram-me que podia escrever aqui tudo aquilo que quisesse .....
Mas não me apetece!!!

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domingo, junho 06, 2004

Countdown - 15dias 

Está a chegar ao fim um ano de vida erasmus.
Apenas um ano. Uma quantidade imensa de revoluções. Maior parte foram lutas internas. Muito poucas exteriorizadas. Apenas a momentos, e com as pessoas certas.
Não consigo evitar uma tristeza que me invade. Verdadeira.
A aventura de partir ao desconhecido traz dissabores. Simplesmente porque até no mais efémero se é possível construir. E o abandonar tudo isto torna-se muito difícil.
Foi um ano fantástico. Por tudo. Pelo que chorei, pelo que sofri, pelo que aprendi, pelo que me atormentei, pelo que vivi, pelos extases, pelas saudades, pelas relações, e pela Relação. Por tudo o que acontece quando se vive intensamente. Guardarei até quando a memória me permitir. Guardarei até ao momento em que outras memórias se sobreponham. Guardarei porque não é possível escapar a uma marca profunda assim.
E não me ficarei por aqui. Fica essa certeza.
Para me ir ajudando a despedir de Delft, vou nestes próximos dias remetendo para este lugar, algumas marcas deste ano. Marcas de vida. E é por causa delas que talvez seja tão difícil abandonar o sítio onde nasceram.

Aqui fica um extracto da primeiríssima marca de erasmus. Foi bem antes de vir. E deu-se pela forma de um email. É engraçado, não sei se o próprio o sabe, mas é algo que ainda guardo. Uma resposta a um mail meu cheio de dúvidas e com todas as perguntas à face da terra. É um mail do André Albuquerque. Mais conhecido por M'A no meio da blogosfera (ex-GANG).

"Comida -
É uma merda!
Mas porra, o que é que isso interessa?!!?!?
Não penses que vais ter assim tanto dinheiro para te ires banquetear a um
restaurante. Vais é cozinhar e portanto, se vais comer bem ou mal, depende
muito mais de ti do que propriamente do país.........
(...)
Sou, tanto aqui, como aí, a pior pessoa para te falar de burocracias
odeio Hierarquias e papeladas e faço sempre como EU quero. Na maioria das
vezes espeto-me mas continuo
Portanto é melhor que te informes por outro lado
(...)
Contudo, e todos sabem que sou trablahador, bom aluno e blá blá, não me
sentiria mal se tivesse vindo para cá 'perder um ano' como tu lhe chamaste.
Perdes para o estudo mas ganhas em tantas outras coisas que o saldo será
concerteza positivo
(...)
Semestre vs. 1ano
Porquê algodão se podes ter seda ?
Há um slogan de Erasmus...
A vida são dois dias, o Carnaval 3, mas o Erasmus dura uma ano....
Não sei bem o que quer dizer, mas sei que não fala em meses....
(...)
EU
Se tou a gostar?
Como não caralho!?!?!?!!?!?1
O 1º trimestre então foi uma loucura, agora tenho trabalhado mais, mas como
te disse, mantém-se sempre um saldo positivo...
(...)
Força
Que esta meia-hora tenha servido para que, quando pensares em não fazer um
Eramus, penses que já não podes, porque eu não deixo!!!!
Vais ter de o fazer agora.
Já te fodeste...."

O resto fica para mim. O mail continua ao seu excelente estilo. A mim, resta-me confirmar que é de facto verdade. Em quase tudo. Até nas holandesas...infelizmente!
Grande Abraço de Obrigado.
pedro

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sábado, junho 05, 2004

Excepção e Regra 

"Vamos descrever para vocês
a história de uma viagem, feita por
um que explora e dois que explorados.
Observe cuidadosamente a conduta dessas pessoas:
ache-a hostil ainda que não muito estranha
difícil de explicar ainda que costumeira
difícil de entender ainda que sendo a regra.
Observe a menor ação, aparentemente simples, com desconfiança.
Indague se uma coisa é necessária
ainda mais se for corriqueira.
Em especial, pedimos a vocês -
quando uma coisa acontece sempre -
não por isso considerá-la natural.
Não deixe nada ser considerado natural
em uma época de maldita confusão,
desordem ordenada, capricho planejado,
e humanidade desumanizada, para evitar
que todas as coisas sejam inalteráveis."

Bertold Brecht, A exceção e a regra

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quinta-feira, junho 03, 2004

De volta aos extractos 

"(...) There is 'architecture = illusion', a theme you find in movies. You leave one room to go to another. Architects do this in a contiguous way, meaning that the second room is really physically behind the first, while in movies thousands of kilometers can separate the two. But what's interesting is the idea of perception. Is what we see real? Is it a reflection, an image, a mystery? Whatever's strange, odd, surprising, everything that makes us question our senses, is the basis, as far as we're concerned, of all the really innovative, interesting, and stimulating architecture that's been produced since the beginning."
Louis Paillard, Périphériques Architects

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Rock in Rio 

Encontrei esta citação no Bazonga da Kilumba, sobre o tal espectáculo.

"O grupo australiano Jet entrou em seguida, e mostrou personalidade à frente de uma platéia desconhecida, suando a camisa em canções como "Come around again" e "Be my girl". O público os recebeu bem, mas não tão bem quanto o surfista-blueseiro Ben Harper, um sucesso da Terrinha."

Vem directamente de um 'jornal' online dessa grande Nação que é o Brasil. Aquela que por 'mares nunca dantes navegados' descobriu Portugal - essa bela localidade (ou terrinha, como queiram).

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quarta-feira, junho 02, 2004

Mais Arte.. 

..no meu regresso a casa. Antes de organizar a minha vida e começar a trabalhar. Antes de tudo e qualquer coisa. Faço assim:
Ler a Bola. Secção Benfica seguido de 'Notícias na Hora'. Vejo o MaisFutebol só para ter a certeza que não me falha nada. Ligo o Messenger, abro nova janelinha para emails. Ler emails. Responder.
Abro o 'extractos'. Vejo comentários.
Novas janelas, abrir o Projecto. Abrir a Poeira. Abrir Hardblog. Abrir Barriga de Arquitecto.
Rir com o jmac, inspirar-me com a Ana, ter esperança que o Daniel tenha escrito, concordar com o Lourenço.
Percorrer o resto dos links dos 'meus favoritos'. Olhar para o relógio..passou uma hora e meia. Nãooo!! E assim ganho o necessário 'input' de stress para começar a trabalhar. Assim, começa o meu dia!

Mais tarde, já coordenado e sem tantas sistematizações, sou até capaz de escrever.

(post scriptum - é quase heresia entitular este post de 'Mais Arte'. É quase. É cultura. A cultura da Bola!..como a minha mãe me compreende!)

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Discussão 

Será que dizer que arquitectura é arte entra no igual âmbito de tentar definir pura e simplesmente a arquitectura?
Penso que sim. E penso isto porque a arquitectura se faz a variadas escalas. E em cada escala assume especificidades próprias. Desde o urbano até ao detalhe construtivo. É isso que esta profissão tem de fantástico. O inesgotável poder de renovar o pensamento.
É dentro desta lógica que afirmo que a arquitectura, enquanto algo construido e edificado, não é arte. Porque inevitavelmente a arte, dentro da mentalidade generalizada, não é mais do que um 'extra'. Algo que está fora das necessidades mais preeminentes. E nesse sentido, perde-se o facto de ser algo essencial.
No entanto, acredito que dentro das variadas escalas de pensamento, existe algo que está intimamente relacionado com a arte. Com o 'extra'.
Ela persiste no método. Ela não é o resultado.

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terça-feira, junho 01, 2004

"Está tudo ligado" 

Engraçado verificar que se fala da mesma coisa. Ou quase.
O Daniel critica o JPC por algo que ele próprio sente. O texto de JPC foi apenas um belo pretexto.

Quando digo que falamos do mesmo, refiro-me à discussão que tive com o Lourenço sobre a existência (ou não) de emoção na arquitectura de Koolhaas. Basicamente, é uma tradução de tudo o que se passa na arte. Assiste-se a uma intelectualização da arte. A significação profunda. A crítica implícita. Esta intelectualização, parece-me ter duas vertentes. Uma que continua a assumir esta crítica implicita (mais elaborada), e outra que se desfaz e procura a banalização (um progresso da cultura Pop, um aproveitar da massificação). No entanto, seja mais 'rebuscada' ou mais 'in your face', ambas se encontram dentro de um âmbito intelectualizante. Com parâmetros, naturalmente.

O que faz da Arte algo superior, deixa de pertencer exclusivamente à Técnica aliada ao Sentir; e pertence agora à pura intelectualização. É neste sentido que JPC faz o seu artigo. A meu ver, uma opinião pessoal que sente a nostalgia da Técnica aliada ao Sentir.

Neste sentido, faço a ligação, a atrevo-me a dizer que os dois têm, nesta situação, uma opinião semelhante. E digo isto por este post do Daniel que transcrevo (em parte):
"Muito embora as palavras continuem a ser as mesmas, as noções de separação, de ausência, de distância, de retorno, já não contêm as mesmas realidades. Para a compreensão do mundo de hoje, usamos uma linguagem criada para o mundo de ontem. E afigura-se-nos que a vida do passado parece corresponder melhor à nossa natureza pela única razão de corresponder melhor à nossa linguagem."

Este texto espectacular, retirado de Saint-Exupéry, não é mais que um reforçar do que sempre existiu, desde que o Homem é Homem. A constatação de que a essência estará sempre desligada da máquina. Porque a máquina, depreendo eu, é símbolo da alienação e da indiferença. Da ausência de emoção. Do progresso e de uma racionalidade onde não entra a poesia. O texto de Saint-Exupéry, assume-se como uma posição do Daniel. Mas essa posição também reflecte que a maquinaria se some após um primeiro olhar. E que a linguagem que permanece continua a ser a do passado, porque "corresponde melhor à nossa". Porque no final de contas, ambos falam da real importância daquilo que permanece. Daquilo que não se desfaz depois da primeira aproximação. Da significação, que emociona.

- actualização..uma piadinha que me lembrei de fazer.
O Lourenço diz que não quer o Urinol de Duschamps para nada. Mas aposto que há aí algum novo-rico que o quer! Mesmo ao lado da banheira 'Luís XIV' e do espelho Arte Nova. (ainda pensei fazer um novo post só com este comentário..entitularia-o qualquer coisa como..'Onde mijas tu?'. Depois achei demais. Não vale assim tanto!)

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