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quarta-feira, junho 09, 2004

Apetece-me.. 

..falar sobre a capacidade mimética da arquitectura. E porque não?
Quem me introduziu foi este senhor aqui em baixo. Um percurso singular, marcado por um conteudo nem sempre rectilíneo. Bem conhecido é o seu trabalho sobre a Arte no tempo da Reprodução Mecânica. A ausência da 'aura' relaciona-se definitivamente com esta mimética que vos quero falar.
Introduz-nos a mimese como uma vertente da linguagem. Diz-nos que é a outra parte da semiotica. Ora, a semiotica trata uma relação directa. Uma comunicação apreendida simplesmente pela palavra-significado directo. A mimese aparece como uma capacidade escondida da linguagem. O único exemplo que me surge agora é o do 'tchim-tchim' que se diz ao brindar um acontecimento qualquer com os copos na mão. A mimese entra aqui porque a palavra não só tem um significado directo (semiotico) mas também alude ao barulho dos copos quando se tocam.
Benjamin diz-nos que esta capacidade 'extra' da linguagem é quase que esquecida nos nossos dias. Inerente a este 'esquecimento' está também aquilo que ele chama de enfraquecimento de experiências. Ou seja, a generalidade das pessoas percorre os seus dias sem estabelecer grandes afinidades com o que as rodeia. Aquilo que tantas vezes chamamos a 'observação' do arquitecto e sua atenção, é mesmo algo específico desta maneira de estar atenta, e não se torna algo generalizado. No entanto, esta visão pouco favoravel do mundo não pressupõe um desistir.
Assim sendo, enaltece a capacidade de mimese que a arquitectura deve ter. Como linguagem, deverá ter esse potencial. E nesse sentido, não tratará apenas um responder de necessidades directas como também se impõe a existência de crítica.
Óbvio. Benjamin era judeu e toda a sua teoria estava baseada numa visão tripartida do mundo: o período de nascimento paradisiaco (anterior à Revolução Industrial), período de decadência (o actual), e o período de redenção (o que está para vir). Nesse sentido, impunha que a mudança poderia estar não no ignorar das características próprias da condição do ser moderno (como o fez o Movimento Moderno), mas numa capacidade mimética, aliada à crítica, que deveria permanecer na arquitectura.
Como é que isso se faz? Dois exemplos: O museu de Libeskind, em Berlim; o terminal marítimo de Koolhaas, em Zeebrugge. Se quiserem que me explique nestes exemplos..vão ter que esperar.


Walter Benjamin

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