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terça-feira, junho 01, 2004

"Está tudo ligado" 

Engraçado verificar que se fala da mesma coisa. Ou quase.
O Daniel critica o JPC por algo que ele próprio sente. O texto de JPC foi apenas um belo pretexto.

Quando digo que falamos do mesmo, refiro-me à discussão que tive com o Lourenço sobre a existência (ou não) de emoção na arquitectura de Koolhaas. Basicamente, é uma tradução de tudo o que se passa na arte. Assiste-se a uma intelectualização da arte. A significação profunda. A crítica implícita. Esta intelectualização, parece-me ter duas vertentes. Uma que continua a assumir esta crítica implicita (mais elaborada), e outra que se desfaz e procura a banalização (um progresso da cultura Pop, um aproveitar da massificação). No entanto, seja mais 'rebuscada' ou mais 'in your face', ambas se encontram dentro de um âmbito intelectualizante. Com parâmetros, naturalmente.

O que faz da Arte algo superior, deixa de pertencer exclusivamente à Técnica aliada ao Sentir; e pertence agora à pura intelectualização. É neste sentido que JPC faz o seu artigo. A meu ver, uma opinião pessoal que sente a nostalgia da Técnica aliada ao Sentir.

Neste sentido, faço a ligação, a atrevo-me a dizer que os dois têm, nesta situação, uma opinião semelhante. E digo isto por este post do Daniel que transcrevo (em parte):
"Muito embora as palavras continuem a ser as mesmas, as noções de separação, de ausência, de distância, de retorno, já não contêm as mesmas realidades. Para a compreensão do mundo de hoje, usamos uma linguagem criada para o mundo de ontem. E afigura-se-nos que a vida do passado parece corresponder melhor à nossa natureza pela única razão de corresponder melhor à nossa linguagem."

Este texto espectacular, retirado de Saint-Exupéry, não é mais que um reforçar do que sempre existiu, desde que o Homem é Homem. A constatação de que a essência estará sempre desligada da máquina. Porque a máquina, depreendo eu, é símbolo da alienação e da indiferença. Da ausência de emoção. Do progresso e de uma racionalidade onde não entra a poesia. O texto de Saint-Exupéry, assume-se como uma posição do Daniel. Mas essa posição também reflecte que a maquinaria se some após um primeiro olhar. E que a linguagem que permanece continua a ser a do passado, porque "corresponde melhor à nossa". Porque no final de contas, ambos falam da real importância daquilo que permanece. Daquilo que não se desfaz depois da primeira aproximação. Da significação, que emociona.

- actualização..uma piadinha que me lembrei de fazer.
O Lourenço diz que não quer o Urinol de Duschamps para nada. Mas aposto que há aí algum novo-rico que o quer! Mesmo ao lado da banheira 'Luís XIV' e do espelho Arte Nova. (ainda pensei fazer um novo post só com este comentário..entitularia-o qualquer coisa como..'Onde mijas tu?'. Depois achei demais. Não vale assim tanto!)

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